Mais carne para o mundo

No primeiro semestre de 014, o Brasil bateu recorde nas exportações de carne bovina. Entre janeiro e junho, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (Abiec), divulgados no mês passado, a receita das vendas externas chegou a US$ 3,4 bilhões, para um volume negociado de 762 mil toneladas. Os números são 13,3% e 12,7%, respectivamente, acima do apurado em igual período do ano passado.

Soja puxa as exportações

As exportações do agronegócio brasileiro atingiram a cifra de US$ 9,6 bilhões e as importações alcançaram US$ 1,2 bilhão. O principal setor exportador foi a soja, com vendas externas de US$ 4,6 bilhões e 8,7 milhões de toneladas embarcadas.

Menos grão torrado 

A receita cambial da exportação brasileira de café torrado e moído registrou queda no primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo o relatório do Ministério do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), o setor faturou US$ 5,6 milhões, um recuo de  25,8% diante dos US$ 7,6  milhões do mesmo período de 2013. O País exportou no período 730 
toneladas do produto, volume 21,8 % menor em relação ao ano anterior.  

Cade libera joint venture

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica liberou, sem restrições, a joint venture entre a Cargill e a Copersucar, para a comercialização de açúcar. Maior trading de açúcar e etanol do mundo, a Copersucar teve lucro líquido de R$ 157,7 milhões na safra 2013/2014. Já a Cargill teve lucro líquido de US$ 319 milhões em seu primeiro trimestre, queda de 28% em comparação ao período anterior. 

Setor deve avançar 9%

Impulsionado pela safra recorde de soja, o segmento de defensivos agrícolas deve fechar 2014 com faturamento de US$ 13 bilhões. A oleaginosa corresponde a 51,3% das vendas deste mercado. 

Preço derruba receita

As exportações brasileiras de carne de frango (produto in natura, industrializados e carne salgada) tiveram queda de 9,2% em receita, no primeiro semestre, em relação ao mesmo período do ano passado, totalizando US$ 3,7 bilhões. Já em volume, houve avanço de 0,5% acima do acumulado no mesmo período anterior (1,9 milhão de toneladas). 

Embarque diminui

Com queda em receita, de 25,5%, os embarques de carne de peru totalizaram US$ 166,1 milhões. Foram 62 mil toneladas no primeiro semestre de 2014, número 17,5% menor em relação ao mesmo
período de 2013. Considerando apenas os resultados de junho, houve queda de 17% em volume, com 8,3 mil toneladas. Retrações também foram registradas na receita de embarques do mês, de 20,6%,
com US$ 22,4 milhões. 

Agricultura familiar

“O Brasil se tornou um modelo para a América Latina quando o assunto é agricultura familiar. Nos últimos 20 anos, o setor tem sido foco de políticas bem-sucedidas, transferência de renda e de programas de desenvolvimento importantes, com o Pronaf”

Valorização lá fora

Embora o Brasil tenha registrado queda de 1,9% no volume exportado, com vendas de 235,8 mil toneladas, os US$ 698,9 milhões de receita representam aumento de 10,89%, em comparação com o primeiro semestre do ano passado. Isso ocorreu devido à elevação de 56,9% no preço médio, em função da redução de oferta do produto no mercado internacional.


Retração nas vendas

As exportações brasileiras de ovos (in natura e processado) totalizaram 4,9 mil toneladas, no primeiro semestre deste ano, resultado 25% menor em relação ao mesmo período do ano passado. Em receita, a queda foi de 40,6%, com US$ 7,2 milhões obtidos no primeiro semestre deste ano.  

Prejuízo recuperado

A Santa Adélia, grupo sucroalcooleiro, que possui três usinas em São Paulo, reverteu o prejuízo de R$ 102,4 milhões de 2012/2013 e alcançou lucro líquido de R$ 24,2 milhões, no ano-safra 2013/2014. As usinas processaram 5,8 milhões de toneladas de canade- açúcar em 2013/2014, produzindo 211 mil toneladas de açúcar, 350,2 milhões de litros de etanol e 343 mil MW/h de energia cogerada, que resultaram no faturamento consolidado de R$ 728,86 milhões.

Salto do agronegócio

“Enquanto o mundo inteiro encolheu, o agronegócio do Brasil cresceu. Entre 2003 e 2013 as exportações saltaram de US$ 30 bilhões para US$ 100 bilhões” 
 Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura.

Comentário do mês

Cesar de Castro Alves, analista da MB Agro

Mesmo com as incertezas climáticas, como a intensificação do fenômeno El Niño, as indicações no início de julho são de um bom desenvolvimento da safra americana de grãos. Trata-se, certamente, do evento mais acompanhado nesse período do ano pelos mercados agropecuários, dada sua importância, inclusive, para outras cadeias como a de carnes. A semeadura do milho e da soja nos Estados Unidos ocorreu dentro da janela ideal de plantio, o que deverá fazer com que a produtividade alcance seu potencial máximo. Somam-se a isso as previsões climáticas para as próximas semanas, que são também favoráveis. Nesse ambiente, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA ) projetou a safra de milho em 352 milhões de toneladas, muito próxima da colhida no ano de 2013, numa área plantada 4% menor do que em 2012. Já a produção de soja deve render 103 milhões de toneladas, aumento de 15,5% sobre a produção de 2013/14.