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“O futuro do agronegócio está na conectividade e na tecnologia”

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Campo futurista Até 2025, o uso de soluções de internet das coisas no agronegócio mundial deverá movimentar US$ 21 bilhões, elevando a produção em 25% (Crédito: Istock)

Imagine o seguinte cenário: um produtor rural, uma fazenda com centenas de hectares, uma colheitadeira de alta tecnologia em meio ao plantio, mas sem a conectividade adequada para auxiliar remotamente os profissionais na sede e agregar eficiência operacional à atividade agrícola com esse maquinário conectado. No agronegócio brasileiro, trata-se de uma situação ainda recorrente em determinadas localidades, mas que caminha para o fim. A ausência de informações em tempo real entre o que acontece na plantação e a tomada de decisão dos agrônomos gera prejuízos. E a conectividade é o ponto chave para trazer mais inteligência ao negócio, visando o Agro 4.0. Nesse sentido, a utilização da frequência de 450 MHz, adquirida em leilão pelas principais empresas de telecomunicações que atuam no País, será determinante para melhorar a conectividade em zonas rurais, com destaque para aplicação em setores estratégicos, como é o caso do agronegócio.

“Tratores e colheitadeiras conectados se transformam em geradores de informações sobre o solo e a lavoura” Anderson Kleber da Silva, diretor de Vendas de TI do Corporativo da Oi

De fundamental importância para a integração da área rural brasileira ao universo da IoT (Internet of Things, a internet das coisas), visto sua menor latência e melhor performance para transmissão de dados, o uso da faixa de 450 MHz permitirá o acesso e o envio de informações on-line, remotamente, para os implementos agrícolas plugados à rede, proporcionando o monitoramento do comportamento e da produção no campo. Os benefícios para a agricultura de precisão são diversos. Além das funções tradicionais, tratores e colheitadeiras conectados se transformam em geradores de informações sobre o solo e a lavoura, auxiliando no combate às pragas e na correção da acidez do solo, entre outros inúmeros exemplos. À distância, é possível ter dados também do maquinário em tempo real – em geral, obtidos com alto investimento –, permitindo a manutenção preventiva e customizada para cada tipo de equipamento, auxiliando, assim, na redução de custos.

Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, a avaliação é de que, até 2025, o impacto do uso das soluções de IoT no agronegócio atinja entre US$ 5 bilhões e US$ 21 bilhões, apoiando uma queda de até 20% no uso de insumos agrícolas e gerando uma alta de cerca de 25% na produção. Esses números irão variar de acordo com o grau de adoção que essas tecnologias atingirem. Contudo, vale lembrar que as fazendas inteligentes não se restringem à conectividade e ao IoT como ferramentas. Se os dados são o novo petróleo, como disse o futurista Gerd Leonhard, em uma atividade como a agricultura é fundamental tratá-los para obter os prognósticos ditos acima. E aqui entra o uso do big data com a coleta e a análise de informações para ajudar no entendimento das métricas e indicadores que devem ser acompanhados, no intuito de se obter uma melhor performance.

Se uma fazenda possui tratores de fabricantes distintos, cada qual com sua própria tecnologia – o que não é incomum –, será por meio do uso do big data junto à plataforma analytics que o produtor rural terá uma visão do desempenho de todos os equipamentos, veículos e ferramentas, de forma integrada. Essa gama de soluções conectadas, que contempla IoT, big data e analytics, mais conectividade, atuando em conjunto traz maior produtividade, menor perda e sustentabilidade para o agronegócio. Um setor tão presente em todas as regiões do nosso País e um dos principais motores da economia brasileira.