Economia

O milho sumiu

O preço do grão disparou no fim de 2007, mas os produtores não tiraram vantagem disso

Nunca um fim de ano ficou tão longo. Pelo menos para quem depende ou trabalha na produção de milho. Havia tempo que o setor não passava por um momento tão conturbado. Isso porque o produto simplesmente sumiu do mercado e quem desejar comprar grandes quantidades terá de esperar até o fim deste mês ou meados de fevereiro. Segundo o analista de mercados Eduardo Oliveira, da consultoria Safras & Mercados, não fossem as compras antecipadas e o planejamento de consumo, algumas das maiores empresas de alimentos do País estariam passando apertado para conseguir comprar sua matéria prima. A segunda solução, que seria importar o grão, também não é viável no momento. O fornecedor natural para o Brasil seria a Argentina, mas além de aquele país também estar com uma oferta ajustada, os importadores nacionais têm medo de comprar e ver seu produto ser barrado no desembarque. Nossos vizinhos cultivam uma variedade de milho transgênico ainda não aprovado no Brasil. Quem poderia dar o aval para a compra é a CTNBio, mas uma liminar impede que o órgão se manifeste a respeito do assunto. Sendo assim, ninguém arrisca importar milho, porque corre o risco de perder dinheiro.

Em cenários de oferta reduzida, normalmente são os produtores os maiores beneficiados. Afinal, quanto maior a procura por um produto, melhores são as chances de incrementarem seus ganhos. “Mas não é bem isso o que está acontecendo”, revela Oliveira. Os preços dispararam, é verdade. Em sete de dezembro, a saca de 60 quilos estava cotada a R$ 34,54 ante R$ 25,00 no mesmo período do ano passado. A diferença de 37%, porém, não beneficia diretamente o setor produtivo. Dados da Associação Brasileira da Indústria do Milho mostram que não há grão disponível no mercado e que a atual política de distribuição está causando problemas. Mas o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, declarou que, a não ser que algum estudo aponte a necessidade de mudanças, tudo fica igual. O motivo de toda essa escassez é a anunciada falta de milho no mundo, desde que os Estados Unidos começaram a desviar parte da produção para a fabricação de etanol. Aquele país ainda limitou as exportações do grão, o que abriu um filão para novos fornecedores mundiais. O resultado é que as exportações brasileiras deram um salto. Em 2006 o Brasil embarcou apenas 3,9 milhões de toneladas, enquanto os números ainda não fechados do ano passado apontam vendas externas de dez milhões de toneladas. “Com a entrada da safra, os preços devem cair um pouco, mas estamos num novo patamar de preços”, diz Eduardo, da Safras & Mercados.

por Ibiapaba Netto

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