Odia 24 de setembro foi quente em Dubai, a maior cidade dos Emirados Árabes, país asiático riquíssimo, no qual a renda per capita anual chega a US$ 65 mil. Para ter uma ideia, o valor é seis vezes maior que renda per capita brasileira. Lá, por exemplo, a frota de carros policiais inclui até Mercedes, Lamborghinis e Ferraris. Já os pontos de ônibus são fechados e contam com ar condicionado.  No período da manhã, os termômetros marcavam uma temperatura próxima dos 37 graus. Mas nada que abalasse a disposição do produtor rural, senador (PP-MT) e, desde maio, Ministro da Agricultura e Pecuária Blairo Maggi, em seu último compromisso de uma longa viagem de 25 dias, por sete países asiáticos. Próximo das seis da tarde lá, 11 horas no Brasil, ele postou em sua rede social a seguinte mensagem: “olha o que encontrei à venda nas prateleiras dos mercados em Dubai, nos Emirados Árabes. Frango congelado brasileiro. Somos grandes produtores de alimentos e vamos expandir cada vez mais nossos mercados. São 18 horas aqui e amanhã retorno ao Brasil.” Na foto que acompanha a mensagem, Maggi segura uma caixa de produtos da Sadia, marca da BRF. No caso, o frango, criado no Brasil e embarcado para o outro lado do mundo, foi processado em uma fábrica inaugurada em 2014, localizada em Abu Dhabi, a 150 quilômetros de Dubai, na qual a BRF investiu US$ 160 milhões.

A missão oficial organizada por Maggi foi a mais extensa já realizada na história do Mapa. Ela passou pela China, Coreia do Sul, Tailândia, Myanmar, Vietnã, Malásia e Índia, além dos Emirados. Os resultados imediatos da missão, entre negócios, oportunidades de investimentos e abertura de mercados, estão estimados entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões ao ano. “Estivemos em lugares fora dos circuitos comuns de viagem, passamos por cidades do interior da China e visitamos países sem nenhuma tradição de comércio com o Brasil, como Myanmar”, afirma Maggi. “A Ásia, até 2030, terá 3,2 bilhões de pessoas na classe média. Por isso estamos direcionando o foco do nosso comércio para lá.”

A viagem faz parte da estratégia de aumento das exportações de produtos agropecuários brasileiros nos próximos cinco anos. O plano é elevar a participação do País no cenário mundial, dos atuais 7% para 10%. Isso significa um salto de cerca de US$ 30 bilhões em receita. No ano passado, as exportações do setor renderam US$ 88 bilhões. O plano é ambicioso. No ano 2000, por exemplo, as exportações de produtos agrícolas renderam apenas US$ 14,3 bilhões, valor equivalente a 4% do comércio mundial na época. “Mostramos dados e números para provar que dos 851 milhões de hectares de área do País, utilizamos apenas 8% das terras para plantar e 19% para criar bois em pastagens.”

Maggi abre nesta edição de DINHEIRO RURAL mais uma série “As 100 Personalidades mais Influentes do Agronegócio”, publicada anualmente pela Editora Três. Juntamente com ele estão outras personalidades, entre agricultores, pecuaristas, empresários, presidentes de empresas e de entidades, cientistas, professores e profissionais do setor, de segmentos como cooperativas, consultoria e marketing. A aprovação de Maggi no Mapa, até agora, parece ser unânime no agronegócio. Dois ex-ministros da pasta, Roberto Rodrigues, hoje coordenador do Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas, e Alysson Paolinelli, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), que também integram a lista dos 100 nomes na revista, elogiam a capacidade de articulação do atual ministro. “Maggi é um empresário, produtor rural e já passou pela gestão pública quando foi governador de Mato Grosso. Então, ele conhece como se faz negócio e sabe do que está falando”, diz Rodrigues. “Maggi tem capacidade para destravar pautas do agronegócio, muitas delas urgentes. E sabe ouvir as demandas dos produtores”, afirma Paolinelli.

Não por acaso, Maggi viajou à Ásia com uma comitiva de cerca de 40 empresários e produtores de vários segmentos, entre eles carnes, lácteos, pescados, grãos, etanol e madeira. Do total de previsão de comércio com a região no próximo período, cerca de US$ 900 milhões anuais em exportações podem ser fechados rapidamente. O valor corresponde a acordos que já estavam em andamento. “O Brasil produz, mas ainda vendemos pouco”, diz o ministro. “Vendemos um pouco de soja, carne bovina e açúcar. Somos limitados a isso. Não exploramos o nosso potencial em outras áreas, como frutas, por exemplo.”

O Brasil assumirá a liderança das exportações agrícolas mundiais em 2024, de acordo com projeções da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento da Europa (OCDE) e da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Mas, para que isso ocorra sem traumas, há desafios imensos para acertar a agenda do agronegócio. Algumas tarefas mais urgentes já começaram a ser  retiradas da gaveta. Antes de embarcar para a missão à Ásia, Maggi apresentou o Plano Agro Mais, um conjunto de 69 medidas para reduzir a burocracia no Mapa e dar maior eficiência à gestão pública. “Não é possível que um papel fique em cima de uma mesa por meses, sem dar andamento às demandas”, afirma. De acordo com o secretário-executivo do Mapa, Eumar Novacki, o plano foi elaborado a partir de 315 demandas enviadas ao governo e de uma consulta com 88 entidades do setor produtivo. “Até o final do ano atenderemos 90% de todas as demandas”, afirmou Novacki. Entre elas está, por exemplo, o fim da reinspeção de produtos em portos e carregamentos provenientes de unidades com Serviço de Inspeção Federal (SIF). As medidas vão permitir ao setor privado e ao governo um ganho de eficiência da ordem de R$ 1 bilhão ao ano, o que representa 0,2% do faturamento anual do setor.

Na agenda de Maggi há outros entraves a serem resolvidos, que não são novos na agenda do  setor. São velhos conhecidos como, por exemplo, destravar o crédito rural, propor um novo seguro para os produtores, incrementar as pesquisas tecnológicas, e revisar acordos como o Mercosul. É preciso também fazer novos acordos fitossanitários, readequar o estoque de armazéns públicos e modernizar a inspeção de produtos. Nessa tarefa, Maggi vem pedindo ajuda às lideranças do agronegócio. Paolinelli, por exemplo, foi convidado pelo ministro para compor um grupo de estudos sobre o seguro rural. “Estamos trabalhando para que ele fique pronto até o final do ano”, diz Paolinelli. Em outros temas, nos quais as decisões estão longe de sua pasta, Maggi afirma que andará o quanto for necessário para mostrar quais são as demandas do setor. Entre elas estão a logística, meio ambiente e o uso da terra. “Um investidor faz apenas três perguntas para decidir sobre um negócio: como eu entro, como eu permaneço e como eu saio”, afirma Maggi. Para o ministro, arrumar a casa tem sido a melhor resposta a esses empresários que estão de olho no campo.

Os plantadores de futuro
As personalidades que estão fazendo um País agropecuário cada dia melhor


Campo bom: com suas lavouras, os produtores estão construindo um País que assumirá a liderança das exportações em 2024

Nos próximos 10 a 20 anos será preciso construir um novo País agrícola. A demanda global por alimentos exige dos produtores um protagonismo inédito na história do setor, baseado na eficiência, inovação e sustentabilidade de todos os segmentos da cadeia. Os setores que atuam antes da porteira, na produção e na ponta do consumo têm sido chamados a responder por uma produção cada vez mais sustentável. E vêm mostrando que podem dar conta da tarefa. Não por acaso, em um ano no qual o Produto Interno do Brasil (PIB), métrica para todas as riquezas geradas, deve dar um passo atrás, o agronegócio pode mais uma vez segurar a sua economia.

Por isso, ao comemorar os 12 anos da DINHEIRO RURAL, a Editora Três publica, mais uma vez, OS 100 NOMES MAIS INFLUENTES DO AGRONEGÓCIO. A iniciativa homenageia as lideranças do setor. Os nomes indicados surgem com base em uma pesquisa realizada pela redação da revista, em buscas das personalidades que se destacam em 12 setores. São eles: agricultura, proteína animal, bioenergia, cooperativas, universidade e pesquisa, insumos, finanças, entidades do agronegócio, governo, iniciativa sustentável, consultoria e comunicação e marketing. A escolha dos homenageados é uma decisão editorial. São homens e mulheres que se destacam no cenário nacional, ou em suas regiões de atuação, e que podem ser exemplo para todo o País.

Além do ministro da Agricultura e Pecuária do Brasil, Blairo Maggi, que encabeça a lista de homenageados e por isso abre esta edição, nas próximas 19 páginas estão 99 personagens que contribuem todos os dias na construção de um País rico em alimento para o mundo. Boa leitura.