O contrato futuro mais líquido de ouro fechou em baixa nesta terça-feira, 26, com o mercado à espera da decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), cujo Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) se reúne entre esta terça e a quarta-feira, 27. Após operar em alta durante a manhã, em movimento que pressionava ainda mais o ouro, o dólar passou a cair ante divisas concorrentes. A fraqueza da moeda americana, porém, acabou não beneficiando o preço do metal precioso no fim das negociações.

O ouro com entrega prevista em fevereiro recuou 0,23%, a US$ 1.850,9 a onça-troy, na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex).

Segundo avalia o Commerzbank, investidores têm esperado por um novo impulso para decidir as suas posições sobre o ouro. Desta forma, o metal precioso carece de apoio antes da decisão de política monetária do Fed, a ser anunciada na quarta. “As participações em fundos de investimentos negociados na Bolsa (ETFs, na sigla em inglês) quase não mudaram nos últimos dias”, diz o banco alemão, ponderando que esta tendência também tem um lado positivo, uma vez que o mercado permanece “fiel” ao ouro.

Para o analista-chefe da ActivTrades, Carlo Alberto De Casa, “quaisquer novos dados macroeconômicos ou declarações dos dirigentes do Fed que indiquem um novo estímulo monetário seriam vistos como notícias positivas para o ouro”.

Já o estrategista-chefe de mercados globais da Axi, Stephen Innes, prevê que a reunião deve dar suporte ao preço do metal precioso, mas sem trazer grandes novidades.

À semelhança da depreciação do dólar, a cautela vista nos mercados por conta do avanço do novo coronavírus não ajudou o ouro a sair do território negativo. O número de óbitos por covid-19 no Reino Unido passou de 100 mil nesta terça, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse que a pandemia “escapou” do controle da gestão de seu governo e defendeu mais medidas restritivas para frear o vírus.

Há ainda incertezas quanto ao processo de vacinação, em especial na União Europeia (UE), que ameaça processar a AstraZeneca por quebra de contrato, caso a empresa não cumpra o cronograma acordado de entrega de doses de sua vacina para a covid-19 ao bloco. Situações semelhantes ocorrem na Itália e na Suécia com relação às entregas que deveriam ser feitas pela Pfizer aos dois países.

*Com informações da Dow Jones Newswires