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Palestrantes em evento divergem sobre recuperação judicial de sucroenergéticas

São Paulo, 17 – A alternativa às companhias sucroenergéticas de recorrer à recuperação judicial dividiu nesta terça-feira opiniões durante debate na Novacana Ethanol Conference, realizada em São Paulo. Entre os palestrantes, houve os que argumentaram que o pequeno números de casos de sucesso demonstra a inviabilidade do recurso, enquanto outros avaliaram que o cenário macroeconômico atual tem papel importante na crise do setor.

Segundo o sócio-fundador da assessoria estratégica para empresas FG/A, Juliano Merlotto, a recuperação judicial é um caminho sem volta. “O setor precisa de despesa de capital (“Capex”) e empresas em recuperação judicial não têm acesso a capital novo. Acreditamos que, para empresas desse setor, a recuperação só vai postergar a situação e elas acabarão virando empresas zumbi”, disse. “Empresas precisam procurar outra solução – venda, sociedade, melhoria na gestão – para reverter a situação”, afirmou. O analista sênior de Agronegócios do Itaú BBA, Guilherme Bellotti de Melo, foi na mesma linha: “Me parece que recuperação judicial não é uma estratégia de maximização de resultados para o acionista”, disse. “Os casos de sucesso são baixos.”

Por outro lado, o gerente do departamento de Biocombustíveis do BNDES, Mauro Mattoso, considerou que, talvez, os problemas atuais não sejam causados pelo sistema de recuperação e sim pela situação macroeconômica atual. “Hoje, quem está bem já não investe muito. Quem está em recuperação judicial, então, não vai”, afirmou. “Mas se a situação macroeconômica melhorar, se a economia crescer, o Renovabio der certo e os preços aumentarem, ele pode sair da recuperação judicial.” Mattoso destacou também a maior transparência das empresas em recuperação judicial – elas são obrigadas a essa transparência, o que facilita a vigilância de órgãos de controle.

A economista do MB Agro Giovana Araujo afirmou que, em alguns casos, a recuperação judicial é a única alternativa para negociar descontos no valor nominal (“haircuts”) maiores na dívida. “Se pegar no momento mais favorável do setor, não vejo a recuperação judicial como fim da linha. Mas tivemos a tempestade perfeita, com incerteza política, econômica, setorial e mercado de crédito complicado”, analisou. “Em alguns casos, a recuperação judicial é inevitável.”