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Para IBGE, IPCA não mostra pressão de demanda

Ainda não há sinais de pressão de demanda sobre a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), afirmou Pedro Kislanov, gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o pesquisador, embora haja um cenário de recuperação da economia, o mercado de trabalho ainda mostra desemprego elevado e renda comprimida.

“Não dá para falar em inflação de demanda não. Ainda temos um contexto de desemprego alto e renda comprimida”, ressaltou Kislanov. “Serviços tiveram queda”, completou.

O IPCA acelerou de 0,31% em abril para 0,83% em maio. Dentro do índice, a inflação de serviços – usada como termômetro de pressões de demanda sobre a inflação – arrefeceu de uma alta 0,05% em abril para uma deflação de 0,15% em maio, sob influência da queda nas passagens aéreas (-28,33%), mas também de itens importantes no orçamento das famílias, como aluguel residencial (-0,20%) e condomínio (-0,24%).

“Essas deflações, embora tenham sido de menor magnitude em relação à passagem aérea, por exemplo, elas também acabam pesando na deflação de serviços”, disse Kislanov. “Por outro lado, teve aceleração em alimentação fora e transporte por aplicativo, que vinha de uma queda expressiva. A gente tem notado que esse item tem uma relação forte com as medidas restritivas da pandemia, ele tende a ter deflação. Quando há melhora do cenário e maior mobilidade das pessoas, a gente tem uma maior alta de preços”, acrescentou.

Para o gerente do IBGE, ainda não é possível apontar de forma clara uma influência da volta do pagamento do auxílio emergencial sobre a inflação, mas é possível que o retorno do benefício tenha gerado uma demanda por bens pontuais, em atividades como vestuário, artigos de residência e alimentos, que tiveram alta de preços em maio.

“Pode ter algum efeito, algumas famílias podem direcionar esses recursos para a compra desses itens, mas não tenho como afirmar que isso está acontecendo”, disse Kislanov.

“De maneira geral, como a gente teve alta em grupos que vinham em queda, como vestuário e artigos de residência, pode haver alguma influência do auxílio emergencial. Ainda é muito cedo para falar numa pressão efetivamente de demanda”, afirmou.

A inflação de itens monitorados pelo governo acelerou de 0,38% em abril para 2,11% em maio.

“Foram, principalmente, os administrados que pesaram neste mês (sobre o IPCA): energia elétrica e gasolina”, apontou Kislanov.

A contribuição dos bens e serviços monitorados sobre a inflação de maio foi de 0,55 ponto porcentual, ou seja, cerca de 66% do IPCA.

O índice de difusão do IPCA, que mostra o porcentual de itens com aumentos de preços, desceu de 66% em abril para 64% em maio. A difusão de itens alimentícios caiu de 67% em abril para 60% em maio, enquanto a difusão de itens não alimentícios subiu de 64% para 68%.

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