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Para o novo agronegócio, um novo gestor

Para o novo agronegócio,  um novo gestor

“A nova gestão no campo será totalmente dominada pelo reino das percepções” Luiz Tejon Megido, doutor em Ciências da Educação e diretor do Núcleo de Agronegócio da ESPM Divulgação

Como será o agronegócio nos próximos 20 anos? Para um PIB mundial estimado em US$ 70 trilhões, cerca de US$ 14 trilhões representam a somatória das cadeias do agronegócio. Ao projetarmos o aumento da população global, numa velocidade de quatro nascimentos a cada segundo, poderíamos cair na tentação de adentrarmos exclusivamente por um raciocínio de escala quantitativa da produção.

Alimentos, bebidas e agroenergia farão parte dessa argamassa, mas, ao lado de tudo isso, o agronegócio do “just food” (apenas comida) irá se desenvolver com sub segmentos e nichos. Ele irá até um reino de especialidades, de probióticos e da multiplicação dos comportamentos por valores, levando a um novo empreendedorismo e cooperativismo no campo. Com uma população cada vez mais urbana, do velho agronegócio caminhamos para uma nova ordem chamada de agrossociedade, numa transformação que é uma autêntica metamorfose.
O mundo caminha da revolução verde de Norman Borlaug, o pai da agricultura de escala intensiva, para uma mutação chamada de sustentabilidade intensiva. Precisaremos de quantidade, porém fragmentada em pedaços de qualidade e sustentabilidade, mas acima de tudo, percebidas. Essa nova gestão será totalmente dominada pelo reino das percepções. O novo agronegócio será aquilo que ficará determinado pelo código de valores dos consumidores. Estamos entrando numa era da história humana inimaginável e impensável, a não ser pelos escritores de ficção científica.

Em 2020, cerca de 80% de todos os adultos portarão um poderoso computador em seus corpos, vestível ou não. Esse novo agronegócio não será o melhoramento do antigo. São novos sistemas que necessitam de novos gestores. A lâmpada não foi a evolução da vela. O trem bala não representa o aprimoramento da locomotiva “Maria Fumaça”. A borboleta não é o melhoramento da lagarta, é sua transformação. A agrossociedade não é a continuidade do que já existe, mas a sua transformação.


Antenados: o novo gestor será membro da geração “penso, logo clico, ou clico logo penso”

A carreira do novo gestor para essa agrossociedade é desafiadora. Seu sistema de competências exige um alargamento profundo de aprendizados e compreensão de causa e efeito ao longo de toda cadeia de valor do agronegócio. O lucro será decorrência da sua administração percebida e valorada pelo cidadão, cliente e consumidor final. O novo gestor precisa estar conectado a marca, associativismo, rastreabilidade, educação incessante, intensa e perene de clientes, de consumidores, de fornecedores e da sociedade. Ele deve ter competência para a negociação e o estabelecimento de acordos para trás e para frente nas suas cadeias de valor, e com as ONG’s. É preciso estar preparado para dialogar com a genética e decodificá-la nos campos e nas mesas, além de entender o meio ambiente, a água, o ar e a qualidade de vida nos campos e nas cidades. Ações sociais e um eficaz cooperativismo invadirão toda a natureza do agronegócio, de ponta a ponta, destruindo o desperdício na ponta do consumo e desenvolvendo o empreendedorismo consciente como alternativa legítima da evolução humana no planeta. Esse novo gestor não precisa ser nenhum super homem ou mulher, mas obviamente deverá ser membro da geração “immediately”: penso, logo clico, ou clico logo penso. Traduzindo: ser um indivíduo quedialoga através de mídias e em velocidade.

Também não falaremos mais de tamanhos de propriedades rurais, mas, daqui para a frente, em tamanhos de inteligências sustentáveis aplicadas a cada hectare, ou a cada metro, ou planta por planta, árvore por árvore, litro de leite a litro de leite, quilo de proteína animal a cada quilo, e pessoa a pessoa. Utopia? Não, prestem atenção.  Esse mundo já começou e já está nas bordas da transformação. Não olhem para o carro, e sim para os novos arranjos sistêmicos. Um dos maiores pilotos de todos os tempos, Ayrton Senna, não morreu por incompetência sua, mas por um sistema formado por carro, pistas e condições fatais. Ao novo gestor, vale olhar para esse novo agronegócio de sustentabilidade intensiva, a agrossociedade, como um novo sistema para não ficar para trás na corrida contra o tempo.

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