Dinheiro para a cana

No mês passado, o BNDES e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) lançaram o PAISS Agrícola, programa de inovação voltado para a cana-de-açúcar. A iniciativa vai destinar R$ 1,48 bilhão para pesquisas para o desenvolvimento de novas variedades da planta, técnicas de propagação de mudas, sistemas de manejo, planejamento da produção, além de máquinas e implementos. Em junho se encerra o prazo para a apresentação de projetos, que deverão ser executados até 2018.

Ração e cana

Com investimento de R$ 5,3 milhões, a processadora de cana-deaçúcar Biosev, do grupo francês Louis Dreyfus Commodities, inaugurou sua terceira fábrica de ração animal de subprodutos da cana. Com capacidade para 35 mil toneladas por ano, em Lagoa da Prata (MG), a expectativa é elevar em até 50% a originação de cana após parceria com produtores que também criam gado nessa região mineira.

Vinho Regulamentado

A presidenta Dilma Rousseff sancionou a Lei do Vinho, uma antiga reivindicação dos produtores do setor. O decreto, publicado em fevereiro, regulamenta a produção, circulação e comercialização da bebida, da uva e de seus derivados. O governo também estabeleceu um novo preço mínimo para a uva industrial, a variedade Isabel. Será de R$ 0,63 por quilo nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste, em 2014, o que significa uma alta de 10,5% sobre o valor anterior, de R$ 0,57.

Bebida sem segredo

Para dar mais transparência ao setor de bebidas não alcoólicas, o Ministério da Agricultura determinou que os rótulos deverão informar a porcentagem de polpa de fruta ou de suco usado na composição do produto. Todos os fabricantes de refrigerantes, refrescos e chás deverão seguir a medida a partir de julho deste ano. A partir de dezembro, a indústria de néctares e sucos também será obrigada a respeitar a regra. Apenas a bebida composta por 100% da fruta será chamada de suco.

Percepção sobre a soja

A multinacional suíça Syngenta resolveu descobrir a opinião do brasileiro sobre a soja. Após 1,4 mil entrevistas em sete capitais, a pesquisa, divulgada em fevereiro, mostrou que a oleaginosa conta com uma imagem mais do que positiva. Cerca de 75% dos entrevistados afirmaram que o grão é muito importante e 44% deles afirmaram consumir produtos derivados todos os dias. Em Brasília, 35% dos entrevistados identificaram a presença da soja numa lista de 22 produtos, como óleos, leite, sucos, farinhas, pães, biscoitos, queijos e ração animal. Na sequência ficaram Curitiba, com 30% dos entrevistados, Porto Alegre e São Paulo, ambos com 29%.

Acupuntura animal

No mês passado, o Conselho Federal de Medicina Veterinária reconheceu a acupuntura veterinária como uma especialidade da profissão. Com isso, cerca de 500 profissionais que atuam no segmento no Brasil poderão receber títulos. A acupuntura pode tratar equinos com lesões na coluna, por exemplo. Em bovinos, ela gera melhora no sistema locomotor, mas sem interferir no sêmen do animal, o que pode ocorrer com o uso de medicamentos.

O novo centro da AGCO

A fabricante de máquinas agrícolas AGCO, dona das marcas Massey Ferguson e Valtra, inaugurou, em fevereiro, um novo Centro de Treinamento AGCO Academy, em Campinas (SP), ao custo de R$ 8 milhões. O centro servirá para a capacitação das equipes de redes concessionárias dessas duas marcas, nos países da América do Sul e Central. A AGCO considera que a capacitação desses profissionais é fundamental para melhorar sua prestação de serviços.

O índice do campo

O Departamento de Agronegócio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Deagro/Fiesp) e a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) lançaram, no mês passado, o Índice de Confiança do Agronegócio (IC AGRO). O indicador, que será divulgado trimestralmente, vai mensurar a percepção de agentes do agronegócio em relação a economia brasileira, crédito, expectativa de investimento, preços, entre outros temas. O índice permitirá compreender os pontos de convergência e divergência entre os elos da cadeia produtiva e antecipar tendências.

Tomatinho  poderoso

Recém-lançada pela Embrapa Hortaliças, a variedade de tomate-cereja BRS Zamir pode ajudar a evitar doenças degenerativas e cardiovasculares. Segundo os especialistas, o tomatinho é rico em licopeno, antioxidante que atua na prevenção dessas doenças. Enquanto o tomate convencional apresenta entre 30 e 40 mg de licopeno por quilo, a nova variedade terá 114 mg da substância por quilo. Esse híbrido voltado para a culinária “gourmet” representa uma nova geração de tomates de conteúdo nutricional enriquecido.

A primeira biorrefinaria

A Cargill inaugurou, em fevereiro, uma processadora de milho para a produção de amidos e adoçantes, em Castro (PR), que vai elevar em 30% a capacidade de moagem de milho da Cargill na América do Sul. Com investimento de R$ 500 milhões, a unidade é a primeira da empresa com o conceito de biorrefinaria, por integrar equipamentos e processos com empresas ao seu redor. Isso significa que os clientes podem receber os ingredientes fabricados pela Cargill através de tubulações compartilhadas. Até 2020, quatro clientes devem estar instalados nesse complexo industrial.

Safra incerta – ALYSSON PAOLINELLI, PRESIDENTE DA ABRAMILHO

A Conab reduziu as estimativas de milho para a Safra 2013/2014, de 78,9 milhões de toneladas, para 75,4 milhões de toneladas, no levantamento de fevereiro. O presidente da Abramilho fala sobre essa redução e as incertezas que preocupam os produtores.

O que se espera desta safra?
Há uma estiagem prolongada que está atingindo regiões produtoras e prejudica o plantio da safrinha. Estamos tristes com a seca e, se ela continuar, a redução da estimativa de safra poderá ser bem maior.

Como o mercado reagiu?
Estávamos prevendo uma estabilização dos preços. Mas há uma tendência de aumento. Isso é ruim, porque é um movimento de especulação somente em função da seca.

E a demanda interna e as exportações?
Temos um estoquede cerca de 16 milhões de toneladas, que precisa ser bem manejado. O consumo interno, de 52 milhões de toneladas, pode chegar a 55 milhões. A demanda da indústria está aumentando e tem também o etanol de milho, que é viável. Além disso, o Brasil exporta para mais de 100 países e não podemos interromper esse processo de crescimento no mercado internacional. A demanda por milho será cada vez maior e precisamos de grandes safras para aproveitar essa chance.

 

Regras para as máquinas

O Comitê Brasileiro de Tratores, Máquinas Agrícolas e Florestais, ligado à Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), vai estimular a adoção de normas técnicas para esse segmento industrial. O comitê, que foi apresentado às entidades do setor no mês passado, será conhecido como ABNT/CB-203. Ele vai atuar, por intermédio da ABNT, em conjunto com a International Organization for Standardization (ISO). Atualmente, há 351 normas ISO no mundo, relacionadas às máquinas agrícolas, mas o Brasil só adota cerca de 30 delas. A meta é que o Brasil adote todas as normas do setor em até cinco anos.

Rumo na ALL

A Rumo, o braço de transportes do grupo Cosan, fez uma proposta de fusão com a ALL, a maior companhia do setor ferroviário da América Latina, para criar uma gigante da logística. A proposta, apresentada em fevereiro, precisa ser aprovada pelo conselho de administração e pelos acionistas da ALL. Se aprovada também pelos órgãos reguladores, a nova empresa vai reunir os 13 mil quilômetros de ferrovias da ALL com os oito terminais de transbordo e o terminal portuário da Rumo.

BRF arrenda Abatedouro

O abatedouro da BRF, localizado em Buriti Alegre (GO), com capacidade para produzir 150 toneladas de frango por dia, está sendo operado pela União Avícola, de Nova Marilândia (MT) desde fevereiro. O arrendamento faz parte do plano da BRF de reduzir custos. O contrato, assinado em janeiro, inclui, ainda, as granjas que abastecem a unidade.

Transporte caro

A Associação de Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso divulgou nota em fevereiro sobre o preço do transporte entre Sorriso e Santos, que atingiu R$ 330 por tonelada. Com 12,7 milhões de toneladas no mercado, que significa menos de 50% da atual produção do Estado, a cotação é recorde. Em 2013, o valor máximo foi de R$ 320 por tonelada, em março. Outros 13,9 milhões de toneladas do grão deverão ser transportadas e o valor do frete pode ficar ainda mais caro.