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PUC Rio faz análises gratuitas de água para detectar urânio em excesso

A presença de elevado teor de urânio em poços artesianos profundos da região serrana do estado do Rio de Janeiro levou o Departamento de Química do Centro Técnico Científico da PUC-Rio (CTC/PUC-Rio), a disponibilizar para a população local análise gratuita da água. O urânio é classificado pelo Ministério da Saúde como um metal pesado e em doses altas pode causar os mesmos malefícios ao organismo humano que o chumbo, ao se acumular, em especial, no fígado e nos rins, como por exemplo, câncer.

Após confirmar altos índices de urânio em poços artesianos profundos da Região Serrana do RJ, professor do Departamento de Química do CTC/PUC-Rio lança aplicativo e site para oferecer à população análise grátis da água – Departamento de Química do CTC/PUC-Rio

o professor do departamento José Marcus Godoy, idealizador do projeto, disse hoje (2) à Agência Brasil que tem feito palestras para os moradores da região serrana, mas sente dificuldade em alcançar essas pessoas. Na avaliação do professor, existe uma tendência quase natural de as pessoas negarem algum problema potencial. Por isso, o projeto Poços da Serra, liderado pelo Laboratório de Águas (LabAguas) do Departamento de Química, criou, em parceria com o Departamento de Informática do CTC/PUC-Rio, um aplicativo para Android Poços da Serra e o site pocosdaserra.com onde os moradores podem se cadastrar para receber os kits e as instruções para coleta e envio das amostras de água para análise.

Godoy estima que os resultados sairão em 15 dias e serão enviados aos habitantes da região por e-mail, para evitar deslocamentos desnecessários durante a pandemia do novo coronavírus.

Sensibilização

O professor da PUC Rio diz que quer sensibilizar os moradores da região serrana para esse problema. “A gente está oferecendo as análises de graça, desde que a pessoa seja dos municípios da região serrana e sejam poços profundos, de mais de 80 metros”, explicou. Poços mais rasos e minas d´água não apresentam esse problema. “Quando é uma mina ou um poço tipo cacimba, a gente sabe que não tem. Só quando o poço é profundo, maior do que 80 metros”. 

Desenvolvido com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), o projeto encontrou taxas de urânio 30 vezes mais altas do que o normal em amostras de água de poços profundos desde o pé da serra de Magé até os municípios de Petrópolis, Teresópolis, São José do Vale do Rio Preto, entre outros e, inclusive, na fronteira do estado com o município mineiro de Simão Pereira.

“O receio é que a pessoa esteja usando aquela água por ser subterrânea e chegar na superfície límpida, ele acha que não tem problema nenhum e está bebendo aquela água direto, e acumulando problemas para ele mesmo mais adiante”, manifestou José Marcus Godoy. Os kits para amostragem são enviados em uma caixa personalizada do Correios. O mesmo sistema será usado na devolução das amostras ao laboratório.

Desde 2018, o LabAguas vem avaliando a radioatividade em águas subterrâneas dessa região. Estudo sobre a matéria foi publicado no Journal of the Brazilian Chemical Society (JBCS). A quantidade de urânio encontrada alcançou até 930 microgramas por litro d’água. O limite existente na legislação brasileira, que segue as recomendações da Organização Mundial da Saúde, é de apenas 30 microgramas por litro d’água.

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