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Recuperação dos preços do açúcar deve ocorrer de modo gradual, diz Rabobank

São Paulo, 17 – O Rabobank, como a grande maioria dos analistas e participantes do mercado de açúcar e etanol, espera uma virada do ciclo em 2019/2020, com a previsão de déficit no balanço mundial de açúcar. O Rabobank estima déficit global de 5 milhões de toneladas. A avaliação faz parte do relatório trimestral do banco sobre commodities agrícolas.

Entretanto, no curto prazo, as projeções indicam que há muito estoque disponível para exportação, “como ilustram as grandes entregas nos vencimentos de contratos recentes em Nova York e Londres”, pondera o Rabobank.

Esse é um dos principais motivos pelos quais as cotações do açúcar demerara na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) “mal conseguem se manter acima dos 11 centavos de dólar por libra-peso”, explica o banco.

“Acreditamos que qualquer recuperação dos preços em 2019/20, na ausência de imprevistos, ocorrerá gradualmente. Mesmo assim, as recentes elevações do câmbio geraram oportunidades para fixar bons preços em reais – em torno de R$ 1.300/t – nos vencimentos mais distantes, até março 2022”, diz o banco.

Em contraste, os preços de etanol continuaram firmes durante a safra brasileira, sendo a salvação deste ciclo, informa o Rabobank. Mesmo assim, a turbulência nos mercados globais gerou preocupação sobre a perspectiva no preço do petróleo, componente chave para determinar o teto do preço de etanol no País durante a entressafra.

A visão do Rabobank é que, apesar da ameaça de desaceleração do crescimento mundial, há fatores idiossincráticos, como a queda dos estoques nos EUA e a política da Arábia Saudita de equilibrar o mercado, que apoiarão o preço de petróleo até o fim de 2019. Além disso conflitos geopolíticos, como o ataque, com drones, no fim de semana, que comprometeu cerca de metade da produção da Arábia Saudita.

O Rabobank, ao longo do próximo trimestre, a safra no Centro-Sul vai terminar, a safra na Europa entra em pleno vapor, e as safras na Índia e na Tailândia começarão. “Todas estas safras merecem ser monitoradas de perto, dada a capacidade de influenciar o balanço mundial”, conclui o Rabobank.