Cocheira

Reserva ameaçada

Crédito: Divulgação

Sem data de término, uma consulta pública referente ao Projeto de Lei (PL) 2.362/2019 pode significar um retrocesso na legislação ambiental. Com o PL, os senadores Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e Marcio Bittar (MDB-AC) propõem acabar com a reserva legal nas propriedades rurais. A ideia dos senadores é acabar com a obrigatoriedade de não desmatar 80% da área de uma propriedade na Amazônia, 35% na região do Cerrado e 20% no restante do País. De acordo com o Código Florestal, embora uma reserva não possa ser desmatada, ela pode ser explorada de forma sustentável. Aprovado em 2012, depois de um amplo debate na sociedade, na época o Código Florestal foi considerado um avanço na gestão do passivo ambiental do Brasil e um bom exemplo de equilíbrio. Naquele momento, o código desagradou o setor do agronegócio e os ambientalistas, mostrando que a sardinha não estava puxada para nenhum dos lados. Agora, com essa proposta de Flávio Bolsonaro, esse equilíbrio construído à base de muita negociação e acordos entre os dois lados pode ser rompido. Além, é claro, de gerar um movimento internacional contra a política ambiental brasileira.

Seguro Rural
Tereza Cristina entra no jogo

Wenderson Araujo

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, tem dito, insistentemente, que é preciso melhorar o programa de subvenção ao seguro rural e que ainda para o Plano Safra 2019/2020 a intenção é ampliar os recursos para R$ 1 bilhão. Esse valor dobraria a atual subvenção. Mas a efetivação dessa política ainda depende de negociações com o Ministério da Economia, dono da chave do cofre. “O seguro é uma das ferramentas que podem levar mais tranquilidade para quem está no campo, produzindo”, disse a ministra, durante o Seminário Internacional do Seguro Rural, em Brasília. Na maioria dos países com agricultura desenvolvida, o seguro é uma das principais ferramentas de gestão. Nos EUA, por exemplo, 90% das lavouras são cobertas. No Brasil, são apenas 12%.

Federarroz
Chapa única em tempo fechado

Berthold

O produtor Alexandre Azevedo Velho, 51 anos, que cultiva arroz no município de Mostardas (RS), deve assumir neste mês a presidência da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), depois da eleição na qual a chapa é única. Velho já foi presidente da Associação dos Arrozeiros de Mostarda e era o vice-presidente do ciclo que se fecha. No novo cargo, sua gestão vai até 2022. O novo presidente assume a entidade em um momento delicado. Nesta safra, o Brasil deve produzir 10 milhões de toneladas do cereal, volume que representa uma queda de 11,7% ante a safra passada.
O baque se dá justamente na produção gaúcha, a maior do País. Em 2017-2018, o Rio Grande do Sul produziu 8,8 milhões de toneladas, um milhão acima do atual ciclo. Mesmo assim, os preços seguem em queda. No início de 2017, a saca de 50 quilos do tipo 1 valia no Estado o equivalente US$ 12,73. Na mesma época, no ano passado, valia US$ 10,90 e hoje são US$ 10,60.

Comércio exterior
Novo chefe na Câmara American

Pedro Dias

Luiz Pretti, presidente da Cargill no Brasil, acaba de assumir a presidência do Conselho de Administração da Câmara Americana de Comércio (Amcham), no ano do centenário do órgão no Brasil. São 5 mil empresas americanas por aqui, donas de uma receita líquida de R$ 2,2 trilhões por ano. “Geramos mais de 3 milhões de empregos formais diretos, representando 9% de todos os empregos formais do setor privado do País”, disse Pretti em sua posse. “Números que fazem da Amcham Brasil a maior câmara americana fora dos Estados Unidos.” No agronegócio, o país é o segundo maior importador do Brasil, principalmente de café, etanol e produtos florestais. Em 2018, foram US$ 6,8 bilhões, que representam 6,7% do setor.