Carreira

“A universidade corporativa transcende a própria empresa”

Dez perguntas para Sebastião Pereira de Faria Júnior, diretor da MSD

“A universidade corporativa transcende  a própria empresa”

Foto:Kelsen Fernandes

A Universidade Corporativa MSD, do laboratório americano Merck Sharp & Dohme, que fatura globalmente US$ 48 bilhões, por ano, foi criado em 2010, a partir de um projeto da divisão de pecuária. Em janeiro deste ano foram incorporadas à universidade as áreas de aves, suínos e peixes. Além disso, o que era um projeto de departamento ganhou o status de diretoria. O agrônomo Sebastião Pereira de Faria Júnior, um de seus mentores,foi o escolhido para comandá-la.

Qual a importância da universidade corporativa para a MSD?
Sua importância está na intensificação do trânsito do conhecimento coletivo da empresa. A universidade tem uma atuação transversal, não é hierarquizada e nem contida em um departamento, o que faz dela uma agitadora de ideias.

Qual é o real interessa da empresa?
O  importante é que zootecnistas, veterinários e técnicos encarem suas profissões como um empreendimento no qual é preciso investir.

Que papel tem a universidade corporativa nesse processo?
Nós estamos migrando de uma sociedade baseada na informação para uma baseada no conhecimento. E é através desse conhecimento que se reconstrói conceitos. O que fazíamos ontem pode não ser bom hoje. Por isso, é preciso ter um visão de repertório do que é importante para o produtor rural. 

Como isso acontece?
Há vários caminhos, um deles são as inter temporadas. São encontros de uma semana, sempre em uma universidade,  ancorados em duas ideias fundamentais: reciclar e integrar em níveis profundos não apenas o conhecimento formal, mas, principalmente, o autoconhecimento. Neste ano, o encontro aconteceu na Universidade de São Paulo (USP)

Qual o maior desafio?
A equipe precisa pensar em rede.  Porque, hoje, os profissionais do campo atuam  como se fossem consultores  do produtor rural.

Quantos participam da universidade?
Nesses encontros há profissionais de todo o País. São 160 que visitam fazendas, além de 45 distribuidores. Mas a universidade corporativa transcende a própria empresa. Por exemplo, realizamos cursos nas fazendas e também há muito material didático disponível ao produtor. 

Como é disseminado o conteúdo?
Além dos eventos, temos um site. Há, também, um programa mensal em formato de rádio e seminários on line que estão começando neste ano.

Qual conhecimento é repassado?
Mais do que o conhecimento zootécnico e de produtos da empresa, nossa preocupação é a visão de conjunto do profissional. Já fizemos, por exemplo, curso de pastagem, um tema que a princípio está fora do nosso escopo como empresa de saúde animal.

Os temas são sempre relacionados ao setor?
Não, necessariamente. Na inter temporada deste ano um dos temas foi gestão da informação. Houve, também, aula de viola caipira.  São interações importantes em uma visão holística do campo.

Como manter a equipe conectada à universidade?
Toda ideia de educação corporativa bate na equação tempo. Trabalhamos essa limitação arduamente. Mas há saídas. A equipe de campo, por exemplo, se desloca em boa parte do tempo. Assim,  nosso programa de rádio é gravado em CDs, o que facilita para que esteja sempre à mão.