Economia

2008 é batata

De comida de pobre a salvação da lavoura, o tubérculo mais conhecido do planeta já viveu o céu e o inferno na agricultura

É batata, 2008 já é batata! Assim mesmo, uma batata quente, ardendo pela chegada do novo ano justamente agora que as Nações Unidas decretaram que este é o ano dela, como forma de estimular o consumo. Nem precisaria tanto. O planeta come batata, seja em forma de pão, de fritas ou mesmo de purê, independentemente da classe social, há mais de oito mil anos.

Mas nem sempre foi assim. Desde que descoberto na região andina do Lago Titicaca, entre Peru e Bolívia, o tubérculo passou por guerras, tempos de bonança, chegou aos quadros de Van Gogh e foi considerado comida de pobre até o século 18. Só mais recentemente, batido o martelo, foi apontado como complexo vitamínico essencial para o corpo – em uma simples batata média há 45% da dose diária de vitamina C fundamental para o ser humano.

Típica da América Latina, a batata saiu dos Andes por meio das caravelas espanholas e chegou à Europa e, de lá, foi levada para China e Índia. Considerado alimento de segunda categoria na Europa, as coisas começaram a mudar a partir de 1770. Primeiro pelas mãos de cientistas, como o nutricionista e agrônomo francês Antoine Parmentier, que revelaram seu valor proteico, o que levou o rei Luís 16 a investir dinheiro em uma campanha publicitária para mudar a opinião da ralé. Depois, pelos fatos da vida, como na Irlanda, por exemplo, onde a população mais do que dobrou em 60 anos, passando a oito milhões de habitantes. Mais bocas, e mesma quantidade de comida. Ou ainda quando uma doença na própria batata levou mais de um milhão de pessoas à morte, dois milhões emigraram e três milhões ficaram sem ter o que comer. E para os que tinham, dá-lhe. Curiosidades à parte, o tubérculo é “maçã da terra” em francês (pomme de terre) e no dialeto alemão da Áustria (erdapfel).

Mas desde a civilização inca, continua uma das produções agrícolas mais queridas do planeta. A batata é a quarta em volume, com cerca de 250 milhões de toneladas distribuídos em 125 países e comida ou degustada, dependendo da preparação, por cerca de um bilhão de humanos. Só perde para o trigo, o arroz e o milho. E, ao que tudo indica, ficará ainda melhor depois de 2008.

A BATATA ATRAVÉS DOS TEMPOS

6.000 A.C.

A batata surgiu nas proximidades do Lago Titicaca, entre Peru e Bolívia, e já era consumida há mais de 8.000 anos

1560

Navegadores ibéricos levam as primeiras raízes do tubérculo à Espanha em meados do século XVI. E de lá ele viaja para a China e a Índia

1770

O agrônomo francês Antoine Parmentier desvenda o valor nutritivo da batata depois de ter participado da Guerra dos Sete Anos, contra Inglaterra e Prússia

1771

A 1ª edição da Enciclopédia Britânica cria um verbete sobre o tubérculo, batizado por Charles de l’Ecluse de Solanum tuberosum

2008

As Nações Unidas decretam o Ano Internacional da Batata, para estimular o consumo por mais de um bilhão de pessoas