Economia

Dez Perguntas

Presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB) prega a cautela para que o setor sobreviva ao momento de crise e cobra participação do governo, com medidas que auxiliem os produtores durante este período. Para isso, ele afirma ser importante que os programas federais existentes estejam funcionando.

DINHEIRO RURAL – Qual a expectativa para os próximos meses?

CESÁRIO RAMALHO – Estamos vendo com certa apreensão. Conforme o ano avança vemos que a crise está se acentuando. Com redução de empregos e países mexendo nas estimativas de crescimento.

RURAL – Mas alguns indicadores mostram que o ano teve um bom começo…

RAMALHO – Ainda não dá para comparar 2009 com o ano passado. A safra deste ano foi plantada com um custo elevado. A realidade é que temos hoje preços 40% inferiores aos da época do plantio. Vamos ter dificuldade em operar com margens de lucros.

RURAL – Na sua opinião, como o produtor deve se portar diante dessa crise?

RAMALHO – Recomendo cautela. É preciso ser cuidadoso com a gestão e ter um ótimo controle de caixa. O agricultor não possui a mesma flexibilidade da indústria. Ele não pode dar férias, reduzir empregos, etc. Não há como ajustar a oferta à demanda.

RURAL – A preocupação é a questão do crédito?

RAMALHO – Há uma absoluta falta de credito no mercado. A maior parte das cooperativas mantinha limites de crédito com bancos privados brasileiros e pequenos bancos internacionais. Esses bancos simplesmente sumiram e hoje esse limite é zero.

RURAL – Algum setor em especial pode ser mais afetado? RAMALHO – O setor sucroalcooleiro possui investimentos colossais e é um setor tomador de recursos. Além disso, tivemos problemas com o açúcar, com superprodução na Índia, e agora redução no preço do álcool.

RURAL – Como o governo poderia ajudar o produtor a atravessar esse momento?

RAMALHO – O governo precisa alimentar os próprios programas que já possui. Temos a questão do preço mínimo que estava defasado e agora estamos atualizando. Com isso poderemos ter um programa de aquisição com preços mínimos adequados à realidade. Outro ponto é a questão do capital de giro das cooperativas, que precisam de recursos para adiantar para o produtor fazer sua colheita.

RURAL – Isso já está sendo feito?

RAMALHO – O governo está sensível em relação às questões financeiras da safra. Mas temos um histórico de que o dinheiro só era liberado depois da colheita. E isso é que não pode acontecer. Isso tem que estar funcionando agora, pois já temos início de safra em algumas regiões do País.

RURAL – Quais são os principais pontos em que a SRB pretende atuar em 2009?

RAMALHO – Nosso foco é discutir melhorias nas estruturas do agronegócio. Há questões essenciais, como o seguro rural. Temos que ter um seguro rural funcionando, para que o produtor possa recuperar perdas e assim dar mais garantia ao capital. Brasileiro não pode plantar sem o seguro, pois há muitos riscos que independem da sua capacidade.

RURAL – A entidade também fala muito da questão ambiental… RAMALHO – Temos que resolver a questão ambiental. Hoje 90% dos agricultores estão irregulares devido a uma legislação ambiental antiga, atrasada e ultrapassada. Temos muitas questões ligadas a ONG’s internacionais que tentam diminuir a importância do Brasil como player mundial. Hoje temos a tecnologia a nosso favor e podemos resolver esse ponto.

RURAL – O sr. acredita que quem sobreviver a essa crise sairá fortalecido?

RAMALHO – O horizonte do agronegócio é positivo. O Brasil é o grande produtor mundial de alimentos. Temos que proteger o agricultor para que ele possa passar por esse momento e voltar a crescer.

“Passamos por um período preocupante e aconselho o produtor a ter cautela, mantendo uma gestão cuidadosa para operar nos próximos meses”