Economia

Hora de plantar

Primeira estimativa da safra 2012 aponta pequena queda na produção, mas a área cultivada no País aumenta diante da alta das commodities agrícolas

 

 

O início da estação de chuvas, em meados de setembro, deu a partida para o plantio da próxima safra que será colhida em 2012. Ao que indicam as previsões iniciais, ela não trará números tão vistosos como os da excepcional colheita de 2011, quando o campo brasileiro produziu recordes 162,9 milhões de toneladas de produtos agrícolas. Para o ano que vem, estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgadas em 6 de outubro, apontam uma leve queda na produção, de até 3,7%. Não se trata, no entanto, de uma má notícia, mas um indicativo de que a produtividade retornará à média histórica. No ano passado, a safra excepcional foi ajudada pelas excelentes condições da meteorologia – que só com muita sorte se repetirão. O dado positivo, demonstrado nos dados da Conab, é a disposição do produtor nacional de investir na ampliação da área plantada. Ao todo, deve ser incorporado 1,4 milhão de hectares – acréscimo de 2,9% –, principalmente com as lavouras de soja, milho e algodão, commodities cujas cotações se mantêm em alta.

Carro-chefe das exportações brasileiras, com US$ 14 bilhões embarcados até setembro, a soja é o produto que mais puxa a expansão das áreas cultivadas do País. Segundo a Conab, até 858 mil hectares devem ser incorporados à lavoura da oleaginosa. Pelo menos dois fatores convencem o produtor de que verá seu investimento compensado. A China, principal compradora de soja, deve manter sua demanda interna em torno de 55 milhões de toneladas – neste ano, 28 milhões de toneladas do produto saíram das lavouras do País. E as tradings têm antecipado contratos e garantido oferta a seus clientes. “O Mato Grosso já comercializou 50% da produção de 2012 a preços atuais, que ainda estão elevados”, diz Glauber Silveira, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja).

Antecipação: Silveira, da Aprosoja, diz que o Mato Grosso já vendeu 50% da safra 2012

Especialistas no setor já esperavam a expansão da área plantada. Além da soja, as culturas de milho e algodão vêm de um ótimo ano, com os produtos negociados na última safra a preços históricos que deixaram os produtores capitalizados para a safra de 2012. A lavoura de milho deve chegar a 14,4 milhões de hectares, até 4,6% maior que a do ano passado. Os produtores de algodão, por exemplo, esperam aumentar a produção de 1,85 milhão de toneladas para 2,1 milhões de toneladas, com uma área cultivada 6% maior que a da última safra. Segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), com o mercado mundial em alta, 70% da produção brasileira foi negociada antecipadamente. “Quando há preço e condições de comercialização, como hoje, o produtor vai para o algodão”, diz Sérgio De Marco, presidente da Abrapa.

 

Embora aponte uma redução na produtividade para a próxima safra, a Conab já identifica sinais de que poderá revisar suas previsões para cima. Como o plantio da soja teve início em setembro – em 2010, ela ocorreu em outubro por conta das chuvas tardias –, deve haver uma janela maior para a safrinha de milho em Estados como Mato Grosso, a partir de fevereiro. “Isso pode elevar a produção, já que o milho tem conseguido preço atraente mesmo na entressafra”, diz Carlos Bestetti, gerente de avaliação de safras da Conab. Ele destaca que a demanda do mercado interno e externo por milho, soja e algodão tem feito com que as commodities avancem sobre culturas menos rentáveis. Para 2012, há previsão da redução da área de trigo, feijão e arroz.

Ainda que seja impossível prever se a meteorologia será novamente generosa com a agricultura brasileira, a pelo menos quatro meses das principais colheitas, o setor avalia que os produtores também conseguirão absorver os recentes aumentos nos custos de produção. Nos últimos meses, a demanda por fertilizantes e defensivos agrícolas pressionou os preços dos insumos. Nos últimos 12 meses, os fertilizantes nitrogenados ficaram 23% mais caros e os à base de fosfato, 21,3%. Até setembro, as vendas dos produtos acumulavam alta de 11,2% que no mesmo mês de 2011. “Isso reflete o bom momento pelo que passam os produtores”, afirma José Vicente Ferraz, diretor-técnico da Informa Economics FNP, empresa especializada em commodities. Para ele, a venda antecipada da produção, com preços a patamares mais elevados ajudará a absorver os custos adicionais. “Esses contratos trazem conforto e rentabilidade.”

A safra 2012

Desempenho das culturas plantadas entre setembro e novembro de 2011

Previsão de 156,8 milhões de toneladas de produtos agrícolas Redução de 3,7%

Área plantada será de 1,4 milhão de hectares

Acréscimo de 2,9%

– previsão de aumento das lavouras de soja, milho e algodão

– previsão de diminuição das lavouras de trigo, feijão e arroz