Economia

O legítimo do Serro

Queijo do sul de Minas Gerais recebe indicação geográfica que garante originalidade típica, o primeiro passo para a sua venda legal no País

 

 

Primeiro foram os vinhos e espumantes do Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul. Depois, as carnes e derivados do Pampa Gaúcho e, na sequência, o café do Cerrado Mineiro a ganhar reconhecimento nacional por trazer consigo sabores típicos de suas regiões. Agora, foi a vez do queijo do Serro, município localizado no centro da Serra do Espinhaço, no nordeste de Minas Gerais, a ter sua indicação geográfica (IG), a 14ª concedida no País, aprovada pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), órgão responsável pela certificação e vinculado ao Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior. A IG saiu no fim de setembro, para a alegria dos mineiros e turistas apreciadores de uma iguaria queijeira. “Essa indicação é o reconhecimento de um produto diferenciado, típico, que traz os valores socioculturais de toda a região do Serro”, diz Albany Arcega, técnico do Programa Queijo Minas Artesanal da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG). “Isso agrega valor ao turismo local também.”

Iguaria mineira: “A indicação é o reconhecimento de valores culturais da região”, diz Arcega

Segundo Jorge Brandão, presidente da Associação dos Produtores Artesanais do Queijo Serro, que representa 80 produtores associados, a IG é um instrumento de base legal no combate à pirataria do queijo. “Agora podemos provar a procedência de um produto fabricado conforme um caderno de normas.” De acordo com Arcega, a IG promoverá uma competição saudável entre os queijeiros, que devem investir ainda mais na produção e aumentar, a médio prazo, as vendas. Em Serro, os associados vendem o quilo do queijo por R$ 9 à cooperativa local, que paga esse valor mesmo no período chuvoso, de entressafra, quando a produção de leite cai. Até aqui, a notícia é boa, mas não garante a comercialização deste queijo em todo o País.

 

Isso porque é produzido à base de leite cru, o que não o enquadra nas normas do Serviço de Inspeção Federal (SIF), do Ministério da Agricultura, para a venda legal em âmbito nacional e eventual exportação. “Precisamos de política federal para levar o queijo à mesa do consumidor”, diz Arcerga. Para Suzana Ferrão, coordenadora técnica do INPI, a indicação é o primeiro passo para o produto se enquadrar ao SIF. O próximo queijo a receber a IG é o da Canastra, região também mineira, ainda neste mês, segundo Suzana.

 

Queijeiros artesãos

Número de produtores:

Estado: 30 mil

Regionais: 10 mil

187 propriedades estão inscritas na Emater-MG