Economia

O milagre do feijão

Após ser relagada à condição de cultura de baixo rendimento, preços se recuperam e fazem a alegria de agricultores País afora

HELIO DALBELO: produtor diz que preço está acima do sonho e deve se manter firme

Enquanto as donas-de-casa arrancam os cabelos por causa do alto preço do feijão nas prateleiras dos supermercados, produtores comemoram os ganhos acumulados a partir do semestre passado. A saca de 60 kg, que em janeiro de 2007 custava R$ 70,50, ultrapassou a casa dos R$ 222,00 no mês passado, ou seja, 215% de aumento. O ganho de renda que mais parece um milagre é, na verdade, fruto de uma conjuntura de fatores. Entre eles, a velha e boa lei de mercado. Os valores pagos aos produtores nos primeiros meses de 2007 desestimularam o plantio. Muitos agricultores optaram por outras culturas, o que ocasionou uma redução na área plantada, sobretudo na segunda e terceira safras do ano. Somado a isso, houve perdas por conta da seca que assolou vários Estados brasileiros, além de a chuva ter provocado atraso na colheita. No mês de dezembro, o habitual é uma grande oferta de feijão e conseqüentemente uma baixa dos preços, mas no ano passado ocorreu exatamente o contrário. Conclusão: em 3 de dezembro, o feijão carioca atingiu seu recorde histórico, de R$ 268,50 a saca, valor superior à média de preço da saca de café no ano passado, que foi de R$ 250,00. Para os próximos meses, a previsão é que a bonança dos bons preços continue.

CENÁRIO APONTA UM ANO MEMORÁVEL PARA OS PRODUTORES DE FEIJÃO. PREÇOS ESTÃO NAS ALTURAS

No entanto, com a entrada da leguminosa proveniente de diversos Estados, os preços devem regredir um pouco. É o que acredita o analista de mercados Rafael Pentiado Poerschke, da consultoria Safras & Mercados. Segundo ele, por não ser uma commodity e estar concentrada nas mãos de pequenos agricultores, a cultura do feijão sofre muita variação de preços. Se a soja ou o trigo estão melhores, o produtor não pensa duas vezes antes de mudar de opção. O fato é que para a segunda safra de 2008, a “safra das águas”, plantada de janeiro a maio, a estimativa é de um aumento de área de 6,4%, o que significa um acréscimo de aproximadamente 1,8 mil hectares. O aumento só não é maior por causa dos produtores que migraram para outras culturas e agora estão com as áreas comprometidas e não têm como plantar feijão.

Mas quem pôde, já aumentou a área da safra que está sendo plantada agora. É o caso de Tarcísio Cereta, produtor em Sobradinho, no Rio Grande do Sul. Em função dos baixos preços em anos anteriores, o agricultor tinha reduzido 30% da área na safrinha de 2007. “Agora, com a recuperação, estou aumentando a área em 20%”, diz. E quem conseguir entregar vai ganhar dinheiro. Essa é a opinião do produtor e engenheiro agrônomo Helio Dalbelo, do Distrito Federal, Brasília. Entre áreas próprias e de clientes, ele administra nada menos que 12 mil hectares da leguminosa. Isso o coloca entre os grandes produtores do País. Segundo ele, o mercado, que sempre foi muito desorganizado, dá mostras de mudanças. “A previsão da safra de feijão sempre foi um mistério porque as pessoas simplesmente não informam corretamente suas áreas”, analisa. Isso, segundo ele, por causa de uma antiga cultura de “não alarmar a concorrência”. O resultado, para ele, está aí: “Ninguém imaginava que poderia faltar feijão na praça”, diz. O lado bom, segundo o produtor, é que os ganhos serão altos para quem tiver a leguminosa para entregar. “É só torcer para o clima ajudar e se isso acontecer será um ano memorável”, analisa.

Lívia Andrade e Ibiapaba Netto

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