Economia

Obama: "Brasil é exemplo para os EUA"

Como o futuro presidente dos Estados Unidos pode ajudar os brasileiros a desenvolver um mercado de etanol muito mais forte e rentável

SIM AO MILHO: democrata defendeu os produtores norteamericanos durante toda a sua campanha

Durante as eleições presidenciais nos Estados Unidos, muitos acreditavam que a vitória de John McCain poderia favorecer o Brasil. Até fazia sentido, uma vez que, durante sua campanha, o republicano afirmou diversas vezes que importaria o nosso etanol em grande escala, dando assim um impulso à produção de biocombustíveis no País. No final, McCain acabou derrotado por Barack Obama, mas o que poderia soar como uma tragédia deve acabar sendo melhor para o Brasil no longo prazo.

O fato é que Obama, agora presidente-eleito, pretende fortalecer o mercado norte-americano de etanol, estimulando os produtores de milho locais a aumentar suas produções. Por diversas vezes, já afirmou que não pretende substituir a dependência do petróleo pela dependência do etanol brasileiro. Mas, afinal, o que o Brasil ganha com isso? Com um mercado norte-americano consolidado, o Brasil ganharia ainda mais força na praça internacional, tanto exportando tecnologia quanto vendendo o produto final no futuro.

“O Brasil fez um ótimo trabalho ao estimular sua indústria de combustíveis alternativos. Agora, os Estados Unidos devem seguir este exemplo”, afirmou recentemente Obama, defensor histórico dos produtores de milho. Quando ainda era senador por Illinois, esteve entre os que apoiaram a sobretaxa sobre o etanol importado até janeiro de 2009. Quando assumir a Casa Branca, deverá ouvir nova proposta do Brasil, que pleiteia uma redução na taxa de US$ 0,54 por galão, cobrada atualmente.

Por mais contraditório que pareça, os governantes brasileiros também vêm apoiando o fortalecimento do etanol de milho. Segundo eles, uma aposta para o tempo. “Os importadores não querem uma oferta instável, sujeita às condições climáticas. E o uso da cana, que também pode se transformar em açúcar, favorece essa sensação de instabilidade. Por isso, estimular a concorrência é importante, pois contribui com o desenvolvimento da produção e a consolidação do mercado internacional”, avalia o governador paulista José Serra. A mesma opinião tem Marcus Jank, presidente cana-de-açúcar, muito mais eficiente. Além do fato de o País ter plenas condições de ampliar sua safra de milho.

“Vivemos um período de escassez de alimentos em todo o mundo e não há dúvida de que os biocombustíveis podem agravar ainda mais esta situação. Mas temos de saber lidar com isso”, admite Barack Obama. Diante deste cenário, o novo presidente norte-americano pode até mudar de idéia, reduzir as taxas de importação do etanol e fortalecer o agronegócio brasileiro, como prometia John McCain. Só nos resta esperar, mas esta história pode ter um final feliz.