Economia

Piauí: não dá para tirar do mapa

Terra barata e de qualidade faz do Estado, que já é o maior produtor de algodão do País, um lugar de grande potencial

Há um mês o presidente da Philips do Brasil, Paulo Zotollo, foi o autor da frase que possivelmente poderia ser considerada a mais infeliz do ano. Zottolo afirmou que “se o Piauí deixar de existir ninguém vai ficar chateado”. Quando o assunto é o agronegócio, então, a frase é ainda mais descabida. O Piauí está encravado em uma região que já é uma realidade no setor agrícola nacional, onde a terra é boa, farta e barata e os projetos de crescimento o colocam no futuro entre as principais potências do agronegócio no País.

O fato é simples: o Piauí é hoje o maior produtor de algodão e caju do Brasil. E isso faz com que vários produtores migrem do Sul para o Nordeste em busca de novas propriedades. O fato gera grande interesse por parte dos especialistas em agronegócios, que acreditam que a região tem um grande potencial agrícola e pode “estourar” em breve. Apenas em 2006, as propriedades rurais no Piauí valorizaram em média 2%, mas em alguns locais, como a região de Uruçuí, uma das principais zonas produtoras de soja do Estado, a valorização chegou a até 35% e pode aumentar ainda mais nos próximos anos. Números animadores para os investidores, mesmo sabendo das dificuldades e carências da região. “É um dos lugares que têm mais potencial de valorização no Brasil. Ainda é um pouco precário no sentido de logística e estradas, mas vale a pena. O preço mais baixo muitas vezes compensa as precariedades da região, mas acredito que tem tudo para valorizar daqui para a frente. A tendência é essa”, explica Jacqueline Bierhals, da Agra FNP. A consultora afirma que um hectare no Piauí custa em média R$ 1.680, valor mais de dez vezes menor do que áreas em São Paulo ou Paraná, por exemplo.

A agricultura já é a atividade econômica mais importante do Piauí, mas, pouco equipada tecnologicamente, ainda está longe de atingir todo o seu potencial. De acordo com o governador Wellington Dias (PT-PI), no entanto, tudo isso deve ser resolvido nos próximos 15 anos, quando devem ser feitas melhorias nas estradas e construído um porto. “Isso não se faz a curto prazo. O projeto é de que até 2022 a gente possa vencer todos os nossos atrasos”, garante. O governador já tem inclusive um plano para a virada no Estado. “Dividimos o Piauí em 11 regiões de desenvolvimento, o que nos permite um crescimento diversificado. Assim, não ficamos presos ao risco de uma crise em algum setor produtivo”, explica o governador, que confirma ainda planos ambiciosos para investimentos no agronegócio nos próximos anos.

Outro trunfo do Piauí é a crescente demanda pelo biodiesel, uma vez que o Estado conta com a única fábrica capaz de produzir o combustível em volume industrial no Brasil. Situada na cidade de Floriano, ao sul de Teresina, o local tem capacidade para produzir até 90 mil litros de biodiesel por dia, através do processamento da semente da mamona e do babaçu, outros produtos com grande potencial na região, com mais de 70 mil hectares cultivados.

DIAS, O GOVERNADOR: Estado dividido em 11 regiões de desenvolvimento visando o crescimento

A chegada da ferrovia Transnordestina também deve dar um grande estímulo para a produção agrícola na região, hoje com muitas dificuldades para o escoamento. Quando estiver em funcionamento, a ferrovia de 1.860 quilômetros levará toda a produção do Estado até os portos de Suape, em Pernambuco, e Pacém, no Ceará.

O Piauí tem tanto potencial agrícola que já existe inclusive um movimento que visa separar o Estado em dois. A região da Gurguéia, localizada ao sul, conta com apenas 11 municípios e pouco mais de 70 mil habitantes, mas é uma das mais produtivas da região. A divisão já está em discussão, mas é pouco provável que saia do papel.

“Eu compreendo o sr. Paulo Zottolo e muitas outras pessoas que pensam como ele, mas o meu papel é fazer com que as pessoas descubram o Piauí. É claro que nós perdemos o bonde da história. O Estado era forte na época do extrativismo, mas ficamos de fora da revolução industrial. Alguns dividiram o bolo e o resto do povo virou massa de manobra”, completa o governador We l l i n g t o n Dias, que quer transformar o Piauí em um dos principais pólos agrícolas do Brasil.