Economia

Tapete Verde em Campo

Copa das Confederações e Copa do Mundo aquecem a produção de gramas, um mercado de R$ 500 milhões por ano

Tapete Verde em Campo

Rola a bola: o estádio Mané Garrincha, em Brasília, está recebendo um novo gramado

Esmeralda, bermudas, tifdwarf, batatais, São Carlos, Santo Agostinho. Para quem olha das arquibancadas, de longe, os gramados dos estádios de futebol parecem todos iguais, mas, definitivamente, não são. Para cada clima, incidência de luz, finalidade e dinheiro para investir, há um tipo específico de grama. Atualmente, existem mais de 100 variedades. De uns tempos para cá, com a aproximação dos grandes eventos de futebol, como a Copa das Confederações, em junho deste ano, e a Copa do Mundo, em 2014, um novo tipo de cultivo começa a ser incorporado às plantações brasileiras: a bermuda celebration.

A planta, mais fina e resistente a pisoteio, é a única certificada pela Fifa a cobrir os estádios em que serão realizadas as partidas oficiais do torneio. O problema é que grande parte dos gramicultores brasileiros, até agora, não cultiva essa variedade de grama. Por isso, as sementes e as mudas estão sendo trazidas dos Estados Unidos, até que o País tenha condições de produzir o suficiente para atender à demanda dos estádios.

Somente o Maracanã, no Rio de Janeiro, terá verba de R$ 100 mil mensais para manutenção de seu novo tapete verde formado pela celebration. “Tínhamos uma grande expectativa de aquecimento do mercado com a Copa, mas a definição de uma grama que não produzimos esfriou nossos ânimos”, diz o engenheiro agrônomo Osvaldo Numata, diretor-técnico da Associação dos Gramicultores do Brasil (Agrabras), em Itapetininga, no interior paulista. O município é o principal polo produtor de grama do País, com 5 mil hectares de cultivo, cerca de 25% de todo o gramado vendido no mercado nacional. Já o Estado de São Paulo, com cerca de 7,5 mil hectares de plantação de grama comercial, responde por 40% do mercado nacional, que movimenta cerca de R$ 500 milhões por ano, segundo a Agrabras.

Embora a Fifa considere que a grama americana é, digamos, mais verde do que a brasileira, há empresas nacionais lucrando com os gramados da Copa. A carioca Greenleaf foi uma das eleitas pela Fifa a fazer a instalação da grama dos estádios que receberão jogos. A empresa não revela o valor dos contratos assinados com as construtoras dos estádios, mas não  deve ser pouco. Enquanto o preço dometro quadrado da grama esmeralda, a mais conhecida no País, custa R$ 2, a celebration não sai por menos de R$ 8, sem considerar os custos com frete, instalação, sistema de drenagem e manutenção.

Uma parceira da Greenleaf, a Itograss, também do Rio de Janeiro, está empenhada em transformar os canteiros de obras em modernos estádios de futebol. “Estamos aprimorando o cultivo de grama e levando aos estádios o que há de mais moderno no mundo”, diz Breno Rodrigo Couto, diretor-comercial da Itograss. Nos últimos dois meses, a empresa forneceu grama para estádios de seis cidades brasileiras: Brasília, Fortaleza, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Rio de Janeiro.