Economia

Um a zero na briga do etanol

Pesquisa brasileira, confirmada por instituto da Califórnia, prova a eficiência do álcool de cana sobre o rival fabricado do milho

A batalha travada pelo governo brasileiro para provar ao mundo a eficiência econômica e os benefícios ambientais do etanol feito de cana-de-açúcar acaba de ganhar um novo round. Um estudo realizado pela Embrapa Agrobiologia demonstra que, em comparação com a gasolina, o etanol produzido a partir da cana é capaz de reduzir em até 73% as emissões de dióxido de carbono (CO2), o principal gás causador do efeito estufa. O grande diferencial da pesquisa é que ela calcula toda a emissão de gases que ocorre durante todo o processo: desde a preparação do solo para o plantio da canade- açúcar até o transporte do etanol produzido para o posto. Dados do Painel de Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU) e medições feitas diretamente no campo ajudaram a chegar aos números finais, que podem ser ainda mais favoráveis. De acordo com a pesquisa, se a colheita for totalmente mecanizada, sem o uso da queimada, a vantagem do álcool em relação à gasolina sobe para 82%.

Esses resultados coincidem com os de outra investigação realizada nos Estados Unidos, pelo Conselho de Qualidade do Ar da Califórnia, que indicam uma redução de 72% na emissão de gases-estufa associados ao consumo de gasolina. O estudo americano é ainda mais favorável ao produto brasileiro, já que faz uma comparação entre o etanol de cana, feito no Brasil, e o etanol americano, feito a partir do milho. Os cálculos da Califórnia sugerem que a substituição da gasolina por etanol de milho aumentaria em 4% as emissões de carbono, depois de computados os efeitos indiretos. Todos esses dados devem servir de argumento para a aprovação da resolução em debate na Agência de Proteção Ambiental dos EUA, que estabelece a meta de redução de 10% na intensidade de carbono dos combustíveis usados por carros e outros veículos no país. A expectativa do governo brasileiro é que com isso os Estados Unidos abram o seu mercado ao etanol do Brasil. Resta aguardar os novos rounds desse duelo.

CANA VERSUS MILHO: o produto brasileiro mostrou mais eficiência ambiental quando comparado ao americano