Finanças

Crédito para todos

O Sicredi, um dos principais bancos cooperativos do País, amplia sua presença no agronegócio e se fortalece como opção de financiamento ao produtor

Crédito para todos

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O ano de 2016 apenas começou e já é um marco na história do Sistema de Crédito Cooperativo (Sicredi), banco cooperativo com sede em Porto Alegre, que reúne 95 cooperativas de crédito em 11 Estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A partir de março, a instituição começa a operar no Norte e o Nordeste do País, totalizando operações em 20 Estados.

O novo braço da cooperativa gaúcha é resultado da fusão com a Unicred Central Norte-Nordeste, também uma instituição coletiva de crédito, fundada em 1993, em Cabedelo (PB). Com isso, o Sicredi assume progressivamente as operações de mais 28 cooperativas financeiras, estabelecidas desde Rio Branco, no Acre, até Itabuna, no sul do Estado da Bahia. “É uma operação importante para o Sicredi, porque finalmente nos tornaremos uma rede nacional”, diz o executivo Edson Georges Nassar.


Agência nacional:para Nassar, presidente do Sicredi, as taxas de juros e a proximidade atraem os produtores ao banco cooperativo 

Essa expansão do Sicredi vinha sendo preparada desde que Nassar assumiu a presidência do banco em 2009, depois de atuar por duas décadas no Citibank. Com a nova estrutura, as 121 cooperativas integradas passam a contar com 3,2 milhões de associados, donos de ativos da ordem de R$ 57,5 bilhões, ante R$ 54,2 bilhões até a fusão. O executivo diz que com a expansão dos serviços, o Sicredi pode chegar a 4,5 milhões de associados nos próximos cinco anos. “Ainda há muita gente no Brasil que não conhece o cooperativismo de crédito e nós podemos levar essa opção para todos”, diz Nassar. Ele viaja constantemente para visitar agências e produtores rurais e sabe do que está falando. O Sicredi possui 1,4 mil agências de atendimento em mais de 1 mil municípios, a sexta maior rede bancária do País. De acordo com a Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), atualmente o Sicredi é a única opção de crédito à população em 222 municípios, de um total de 556 localidades atendidas exclusivamente por cooperativas.

Para Thiago Abrantes, coordenador da Gerência Técnica e Econômica da OCB, a capilaridade do Sicredi fez com que ele se tornasse uma marca identificada com o Brasil rural. “A agropecuária foi o embrião das cooperativas de crédito, que nasceram para permitir o acesso do produtor aos recursos”, diz Abrantes. “O Sicredi está neste contexto.” Hoje, o agronegócio representa 45% da carteira de crédito da cooperativa, equivalente a R$ 13,5 bilhões. Entre os seus associados, 600 mil são empreendedores rurais, 20% do total. O fato de o produtor ser o tomador do crédito e também o dono do empreendimento é uma oportunidade de negócio, porque ele pode ter um rendimento extra com o desempenho das operações. No ano passado, elas deixaram um volume de recursos da ordem de R$ 1,1 bilhão, dos quais R$ 495 milhões foram distribuídos aos cooperados. As chamadas de sobras são dividas anualmente, conforme decisão dos associados: uma parte é retida como incremento de capital, outra é destinada a investimentos e uma terceira vai para o bolso do cooperado. A sobra de 2015, que será apresentada em março, é estimada em R$ 1,4 bilhão. “Lógico que é muito mais interessante pagar juros para um sistema em que os valores voltam ao próprio bolso”, diz Abrantes. 

São justamente as taxas de juros mais atrativas, em relação às praticadas pelos bancos comerciais, que atraem clientes para o Sicredi. Em novembro passado, por exemplo, a taxa média de juros para o produtor rural era de 40,7% ao ano, no mercado, enquanto no Sicredi estava em 32,8%. “No sistema cooperativo a regulação do spread é feita por nós, o que permite ofertar um crédito mais barato”, diz Nasser. “Não é igual ao crédito subsidiado, claro, porque nós não deixamos de ser uma fonte privada, mas ele é inferior ao praticado pelos bancos covencionais a juros livres.” Na safra 2014/2015, o Sicredi liberou R$ 9,1 bilhões de crédito rural por meio de 164 mil contratos e deve encerrar a safra 2015/2016 com R$ 9 bilhões.

“O crédito tem sido mais curto, porque a parcela subsidiada pelo BNDES tem sido menor”, diz Nassar. “Mas estamos buscando alternativas para atender o produtor”, diz. Nas safras 2013/14 e 2014/15, o Sicredi foi a instituição que mais liberou recursos do BNDES para agricultores familiares, por meio do Programa Nacio-nal de Fortalecimento da Agricul-tura Familiar (Pronaf). Foram R$ 675,5 milhões e R$ 818 milhões, em cada um dos ciclos.