Finanças

Dinheiro que dá em árvores

Crescimento de fundos de investimentos com foco em negócios florestais pode acelerar expansão do setor

Um conhecido ditado ensina que dinheiro não cresce em árvores. Mas há quem não leve essa teoria tão a sério.

Basta notar que nos últimos anos o setor de florestas plantadas tem se tornado um dos alvos preferidos de fundos de investimentos, que enxergam nesse segmento a possibilidade de retornos seguros e lucrativos.

E, nesse rentável mercado, a bola da vez é o Brasil. Com clima favorável, boa genética e disponibilidade de terras boas e baratas, a estimativa é de que fundos, nacionais e estrangeiros, apliquem por aqui cerca de US$ 4 bilhões nos próximos cinco anos.

“As indústrias desse setor têm planos sólidos de expansão que irão demandar recursos. Na mesma medida, existe um grande interesse de investidores em ativos florestais brasileiros”, afirma o gerente de novos projetos do Robobank, Dante Pozzi.

Com forte atuação no setor, intermediando ações de empreendedores que buscam capital para expandir seus projetos ou de potenciais investidores que buscam ativos florestais no País, Pozzi vê com bons olhos a chegada desses fundos.

“É um capital que conhece o setor de floresta”, analisa. Uma opinião compartilhada pelo presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Florestas Plantadas (Abraf), Fernando Henrique da Fonseca.

“A presença de fundos irá ajudar a alavancar o mercado de floresta no País.” Essa expectativa se deve à mudança no perfil dos empreendimentos que vêm sendo tocados por esses fundos. Se antes a busca era por projetos consolidados, hoje a ideia é adquirir áreas e implantar projetos próprios, a maioria voltados para o plantio de eucalipto e pínus.

R$ 4 bilhões é o total de recursos que devem ser aplicados no setor de florestas do país

“Com isso, nós começaremos a ter uma disponibilidade de mercado de madeira no Brasil, o que hoje não existe”, avalia Fonseca. Já para o diretor de novos investimentos de uma das principais gestoras de fundos florestais do país, a Brazil Timber, Henrique Rodrigues Aretz, a intensificação da presença desses fundos ajudará as indústrias a tirar seus projetos de expansão da gaveta.

“No Brasil ainda há uma mentalidade de que floresta e indústria tenham que andar juntas. Mas faz mais sentido ter esses projetos de plantio na mão de terceiros”, explica Aretz. Segundo o diretor, o custo para implantação de uma fábrica de celulose para produzir mil toneladas não sai por menos de US$ 1 bilhão.

“Se você ainda tiver que arcar com os custos de áreas de plantio, fica inviável”, pondera. Um cenário que já começa a ganhar seus primeiros contornos. Recentemente a Suzano Papel e Celulose negociou por R$ 311 milhões a venda de cerca de 50 mil hectares de suas áreas de plantio com os fundos Fazenda Turmalina Holdings, vinculado ao americano RMK Fund e Mata Mineira Investimentos Florestais, ligada ao fundo inglês Phaunos FourWinds.

Uma das primeiras companhias de capital nacional do setor, a Brazil Timber gerencia recursos de US$ 260 milhões, a maior parte oriundos de fundos de pensão estrangeiros. “Floresta é um investimento tradicional nos EUA e na Europa”, afirma Aretz, que ressalta que o setor é atrativo.

“O retorno médio sustentável varia na faixa de 12 a 16%.” Para o diretor, muitos negócios ainda devem acontecer. “O ano de 2010 vai ser o ano dos grandes investimentos no setor de floresta no Brasil.”