Finanças

É melhor prevenir do que consertar

Uma máquina quebrada pode significar um grande prejuízo no ano. Evitar esse risco pode ser a solução mais simples...

TREINAMENTO: técnico demonstra locais de manutenção de equipamento durante a colheita

Quem já passou pela dolorosa experiência de ver sua máquina quebrar em plena colheita sabe bem quão problemático isso pode ser. Afinal, o campo não pode esperar e qualquer atraso para a retirada da produção pode se converter em prejuízos para o produtor. Para garantir que as máquinas operem sem sustos e a todo vapor, o principal remédio é investir na sua manutenção, principalmente no momento em que a safra termina e elas finalmente têm seus motores desligados. “Máquina tem que quebrar no galpão. Não pode quebrar trabalhando”, ressalta o professor do Departamento de Engenharia Rural da Esalq/USP, Marcos Milan. Fácil, não? Nem tanto…

Segundo o professor, na maior parte dos casos esses problemas acontecem por pequenas falhas, que poderiam ser evitadas com reparos básicos. “A leitura do manual de instruções da máquina é o primeiro passo para uma manutenção correta, pois lá estão descritos todos os procedimentos do equipamento”, ensina.

O tempo de vida útil de uma colheitadeira é estimado em quatro mil horas, o que, levando em conta o tempo médio de trabalho por safra de 400 horas, pode lhe dar uma durabilidade de 10 anos. Durante esse tempo, é preciso estar atento à necessidade de revisões periódicas. Até o segundo ano de operação, a revisão deve ser feita a cada 800 horas e esse intervalo diminui na medida em que a máquina envelhece. A partir do quarto ano, a verificação é feita a cada 50 horas. Além, claro, de uma manutenção diária, em que se verifica óleo do motor, água, limpeza dos filtros.

No pós-safra, a atenção é redobrada. Esse período, que começou no mês passado, é o indicado para fazer a revisão do motor, troca de correias, lubrificação de peças e a limpeza da máquina. “O acúmulo de palha pode gerar umidade e causar oxidação nas peças”, diz Milan, da Esalq. A estimativa é de que o custo médio de ano. Para o consultor técnico da John Deere, João Butzke, esse é um investimento vantajoso. “Esse aporte é pago com o trabalho da própria máquina que não deixa o produtor na mão”, diz. Para ele, é importante manter essa manutenção para não haver problemas e ficar com o equipamento funcionando em todo o período da colheita. “Caso contrário, a perda é muito maior”, analisa.

Outro ponto importante, destacado por especialistas, é o treinamento adequado para os operadores. Entre as empresas de máquinas e implementos, corre uma máxima que diz que muitos agricultores não emprestam suas caminhonetes, mas não vêem problema em dar a colheitadeira a qualquer um. “Com isso, a maior parte das compras acontece sem que os operadores tenham o treinamento necessário, o que compromete a manutenção”.

Mas existe um limite para que o investimento em consertos continue sendo vantajoso, como pondera Milan. “Após o quarto ano de operação, o gasto com manutenção não pode ultrapassar 25% do valor da máquina.” Para ter esse tipo de controle, o produtor precisa ter um acompanhamento detalhado dos custos de manutenção de sua máquina ao longo de sua vida útil.

Cuidados simples que podem prevenir uma grande dor de cabeça.

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