Finanças

Empurrão oficial na Santelisa Vale

BNDESPar injeta R$ 150 milhões na empresa, que poderá agora ajustar suas dívidas e se preparar para um lançamento de ações

ALÉM DO ÁLCOOL: geração de energia está entre as apostas da Santelisa Vale

Finalmente chega ao fim um dos mais espetaculares episódios do agronegócio brasileiro. Trata-se da história da fusão das usinas Santa Elisa e Vale do Rosário, que, no ano passado, contraíram pesadas dívidas para se defender de uma oferta da Cosan, maior conglomerado de usinas de álcool do mundo. Após uma reestruturação geral, o grupo, que agora atende pelo nome de Santelisa Vale, recebeu o aporte de R$ 150 milhões do BNDESPar no fim de 2007 e toma novo fôlego para o futuro. Com o caixa reforçado, o grupo, liderado pelo executivo Anselmo Lopes Rodrigues, entrará numa fase de novos investimentos que visam a preparação da empresa para a tão falada abertura de capital. “Lançar ações na Bovespa está nos nossos planos de médio prazo. Antes disso, vamos aumentar a sinergia entre os nossos negócios, o que resultará em ganhos maiores e menores custos de produção”, comenta Rodrigues.

A estratégia, de acordo com o executivo, está pautada na conclusão de algumas parcerias. Projetos conjuntos com os bancos Goldman Sachs e Merryll Linch estão em andamento. “São empresas que possuem negócios em muitas áreas e uma visão global que nos tem ajudado muito”, diz Rodrigues. Na prática, a Santelisa Vale vai ampliar sua área de atuação, indo além do álcool e do açúcar. Antes disso, no entanto, deve dobrar sua capacidade de moagem, hoje em dez milhões de toneladas, no prazo de quatro anos. Entre os negócios mais promissores que estão por vir, a geração de energia elétrica aparece como nova coqueluche. Com cinco usinas em funcionamento e mais seis em construção, serão gerados 417 mil megawatts hora por ano. “É o equivalente ao consumo residencial de uma cidade como Campinas, por exemplo”, explica Rodrigues. Outro negócio que “promete”, na opinião do executivo, é a parceria com a Dow Química. “Estamos desenvolvendo um tipo de plástico verde, tendo como base a cana-de-açúcar”, revela. Ele acredita que em dois anos o produto estará pronto.

“Vamos ter o plástico verde e gerar energia suficiente “para abastecer uma cidade de um milhão de habitantes”

ANSELMO RODRIGUES, presidente do Grupo Santelisa Vale

Rodrigues diz que essa atuação mais diversificada da Santelisa Vale deve render bons frutos quando da abertura de capital. “Acreditamos que nossa empresa será realmente muito atrativa para os investidores, principalmente por não dependermos apenas de commodities”, pondera. Quanto às dívidas que tiravam o sono dos acionistas no passado, ele garante que tudo está resolvido. “Nosso principal credor era o Bradesco e fizemos um acordo muito confortável, que não interfere mais na nossa capacidade de investimentos. Agora é vida nova”, comemora.