Finanças

Guinness a cavalo

O fazendeiro paulista Pedro Luis Aguiar cavalgou 20 mil quilômetros e entrou para o livro dos recordes

Destemido. Esta é a melhor palavra para definir o fazendeiro paulista Pedro Luis Aguiar, hoje com 75 anos. Sr. Pedroca, como é conhecido, tornou-se recordista mundial de cavalgada em distância após percorrer aproximadamente 20 mil quilômetros em uma viagem pelo Brasil, que durou nada menos que 2 anos e 45 dias. O itinerário passou por quase todas as capitais brasileiras e a aventura, realizada em 1991 é até hoje a maior jornada a cavalo que se tem notícia. O “passeio” fez com que o brasileiro entrasse no Guinness Book, o famoso “livro dos recordes” e por lá ficasse. Quando criança, o cavaleiro brincava com seus colegas dizendo que aos 60 anos sairia pelo mundo no lombo de um cavalo. E numa fantástica coincidência, aos 61 anos, ele foi convidado pela Associação Brasileira do Cavalo Mangalarga Marchador para fazer uma expedição chamada Brasil 14 mil. Em 25 de maio daquele ano,. Pedroca partiu ao lado de seu irmão Jorge e do capataz de sua fazenda José Reis. Os três seguiram rumo ao Chuí, na divisa com o Uruguai. “Eram seis garanhões, três burros de carga e outros três burros montados em cima”, brinca Sr. Pedroca, lembrando da preparação da equipe.

“Para mim, viajar uma semana ou um ano não faz diferença nenhuma. Com saúde sigo montando”

PEDRO LUIS AGUIAR, fazendeiro e aventureiro

A Saída aconteceu em São Paulo com destino à divisa com o Uruguai. De lá, partiram para o Oiapoque, na fronteira com a Guiana Francesa, extremo norte do País. O percurso passou pelo centro do Brasil na ida e, na volta, a pedido dos patrocinadores, desceram pelo litoral em meio a paisagens paradisíacas. Fato é que a expedição que estava programada para percorrer 14 mil quilômetros se estendeu e, quando terminou, 20 mil quilômetros ficaram para trás. “A maioria das vezes dormíamos ao ar livre”, conta Pedroca. Segundo ele, nos trechos de mata, havia poucos problemas, mas nas estradas de São Paulo e Rio de Janeiro aconteceram os maiores sufocos. “Os motoristas não respeitavam os cavalos”, relembra. O maior perrengue, porém, aconteceu quando o grupo foi abordado por policiais corruptos no Vale do Jequitinhonha. “Eram 8h30 quando acordei já com um revólver na cabeça”, lembra. “Depois ficaram discutindo se nos matavam ou não, mas no final, felizmente tudo deu certo”, diz aliviado.

Hoje, aos 75 anos, Sr. Pedroca segue a vida sobre o cavalo. Sua Fazenda Bela Vista, que antes abrigava gado de corte, hoje é uma bem estruturada propriedade para turismo rural. À frente do negócio, está o cavaleiro que faz o que gosta: ensina crianças a montar e leva grupos, principalmente de estrangeiros para conhecer as belezas de sua região. Se ele faria tudo de novo? “Não faço porque não tem”, responde. “Para mim, viajar uma semana ou um ano, não tem nenhuma diferença, enquanto estiver com saúde sigo montando”, completa.

Nicholas Vital, de Dourado-SP