Finanças

O segredo é antecipar

Programar a compra de sêmen bovino pode render uma boa economia para o criador de gado de corte ou leite

O segredo é antecipar

Inseminação: o preço médio da palheta de sêmen é de R$ 20 para as raças de corte e R$ 30 para as leiteiras Foto:Kelsen Fernandes

As compras antecipadas de insumos é uma ferramenta de gestão eficiente que traz ganhos financeiros a qualquer propriedade rural. No caso dos pecuaristas que criam animais destinados à produção de carne ou leite, a compra programada de sêmen pode gerar uma poupança de recursos superior a 10%, além de possibilitar o seu parcelamento sem juros ou garantir descontos que variam de 5% a 10%, dependendo da quantidade de material genético adquirido e do touro escolhido. Essas facilidades oferecidas pelas centrais de inseminação artificial (IA) ajudam na gestão do capital de giro e na administração do fluxo de caixa das fazendas. Numa economia que não deve crescer em 2015, a ajuda é significativa.

Para Carlos Vivacqua Carneiro da Luz, presidente da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia), entidade que reúne as principais empresas do setor no País, um dos principais motivos que deve pressionar os preços do sêmen é o câmbio. Até o final do ano, especialistas do mercado acreditam que a moeda americana pode chegar até R$ 3,30, ante os R$ 2,90 do final do mês passado (leia mais na pág. 10). “Como boa parte do sêmen vendido é importado, as centrais não conseguirão absorver a valorização do dólar e terão de repassar o custo ao produtor”, diz Luz. “Quem se adiantar às compras pode ganhar essa diferença da moeda americana”. Em 2014, do total de 13,6 milhões de doses de sêmen bovino comercializadas no País, 7,7 milhões foram importadas, principalmente de Estados Unidos, Canadá, Holanda e Argentina. A raça angus, utilizada nos programas de cruzamento industrial, e a leiteira holandesa têm a maior parte desse mercado.

Mais sêmen no mercado

Em meados de março, a Associação Brasileira de     Inseminação Artificial (Asbia) apresentou em São Paulo os dados de desempenho do setor em 2014. De acordo com a entidade, o movimento financeiro foi de cerca de R$ 400 milhões, com um crescimento de 4,5% ante 2013. A Asbia reúne 14 centrais de inseminação, que representam 92% do material genético comercializado no País.

Do total de 13,6 milhões de doses produzidas, as empresas venderam 7,1 milhões de doses de sêmen de raças para carne e 4,9 milhões de doses foram de sêmen de gado leiteiro. Do restante 1,6 milhão de doses, 1,1 milhão são de material genético produzido através de prestação de serviço às fazendas, e as demais foram exportadas. Com isso, do rebanho estimado de 56,1 milhões de fêmeas destinadas à reprodução, cerca de 12% foram inseminadas. Outro dado apresentado pela Asbia se refere à venda de botijões de sêmen, que totalizaram oito mil unidades no ano passado, um crescimento de 6,4%, ante 2013.


Nas alturas: para Luz, novo presidente da Asbia, o câmbio deverá pressionar os preços do sêmen neste ano

Atualmente, o preço médio de uma dose de sêmen está em cerca de R$ 20 para as raças de corte e R$ 30, para as leiteiras.  “Para as raças de corte, o pecuarista que sair do período de maior procura por sêmen nas centrais, geralmente nos meses de julho e agosto, tem maior margem de negociação”, diz Luz. “Ele tem mais poder nesse caso.”  Welington Shiroma, gerente da CRV Lagoa, de Sertãozinho (SP), empresa que vende por ano cerca de três milhões de doses de sêmen, diz que o pecuarista precisa fazer as contas e buscar pela maior composição de benefícios oferecidos. No caso da CRV Lagoa, à venda antecipada e com desconto pode ser acrescida a entrega futura do material genético. Por exemplo, o produtor pode comprar o sêmen no início do ano e deixá-lo armazenado na própria central. “O sêmen só é enviado à fazenda na época da estação de monta, quando o próprio cliente determinar”, diz Shiroma. “Além da economia, o pecuarista não corre o risco de ficar sem o material genético dos principais reprodutores dos sumários das raças, produtos demandados na alta temporada de vendas”.

Para Heverardo Rezende Carvalho, presidente da canadense Alta Genetics Brasil, central que em 2014 comercializou quatro milhões de doses de sêmen, o maior benefício para o produtor que antecipa a compra de material genético é a diluição dos gastos ao longo do ano. “Nenhum outro insumo vendido para a pecuária trabalha com prazos tão flexíveis”, diz Carvalho. Na Alta Genetics, o parcelamento das compras pode ser feito em até oito vezes. “No final das contas, o pecuarista pode ganhar mais do que o esperado”, diz ele. No mercado de sêmen há especulações de um aumento do preço da dose de cerca de 25% até o final do ano. A conferir.