Finanças

Os preços estão em alta. E agora?

ARLINDO DE AZEVEDO MOURA, Diretor-presidente da SLC Agrícola S.A.

Mudanças irrevogáveis de patamares de preços não são comuns no mercado de commodities. Acompanham guinadas históricas ou emergem em grandes crises globais. E a velha máxima de que oferta e procura tendem a entrar em relativo equilíbrio até agora prevaleceu.

Quando as três principais commodities, milho, soja e trigo, começaram a se distanciar de suas médias históricas, no final de 2006, a sensação inicial era de que logo haveria um inevitável recuo. Não houve. As curvas ascendentes tornaram-se ainda mais verticais em 2007 e novas altas são esperadas para 2008.

As previsões são de preços firmes para as commodities agrícolas em 2008. Mas sem calmaria. Variações para cima e para baixo em alguns períodos são perfeitamente possíveis.

Poucos países no mundo poderão se beneficiar tanto da alta das commodities agrícolas quanto Brasil e Argentina. Somados ambos já produzem um significativo volume de soja, milho e trigo. E têm terras disponíveis para expandir as lavouras, sobretudo a partir da tendência de redução do espaço ocupado pela pecuária ainda marcadamente extensiva nesses dois exportadores de carne bovina.

No entanto, nem tudo é festa no agronegócio. É mesmo contraditório. O agronegócio vai bem. Tanta pujança no campo, todavia, menos se reflete no bolso do agricultor. O agronegócio lucra, o agricultor se aperta.

Com a estabilização da economia em 1994, o endividamento do campo aflorou. Antes do Plano Real, ninguém sabia, na verdade, quanto devia. Muitos planos econômicos provocaram um descasamento entre as dívidas rurais e os preços agrícolas. Como resultado disso, o endividamento rural triplicou nos últimos dez anos, atingindo R$ 130 bilhões. Do ponto de vista empresarial, qual é a melhor saída para o produtor? Pagar as contas? Fazer caixa? Aumentar a área?

A SLC Agrícola tem um princípio básico, que começou com seu fundador e se perpetua: a ética e a transparência nas relações, seja com colaboradores, fornecedores ou clientes. Por isso, para nós, pagar as contas é uma obrigação saíque nunca deixamos de cumprir.

Portanto, por uma diretriz muito clara de crescimento, a SLC acredita que tem grande potencial de expansão e aumento de faturamento nos próximos anos. Por isso, está trabalhando com metas ambiciosas de crescimento.

SOJA: preços em alta podem significar oportunidade para aumento de área

Penso que a nossa estratégia é coerente com as oportunidades do agronegócio: crescer de forma sustentada via aquisição de novas áreas em locais estratégicos para a agricultura; aproveitar a liquidez do sistema financeiro e melhoria das margens do setor para viabilizar novos projetos; focar o nosso crescimento no aumento da produção das culturas mais rentáveis sem perder de vista fundamentos como rotação de cultura e atendimento contínuo de nossos clientes; buscar margens crescentes via investimentos em tecnologia, aumento de produtividade e redução do custo de produção; gestão rigorosa sobre os custos de produção, especialmente neste momento em que a elevação dos preços das commodities tende a estimular o aumento dos preços dos insumos; reforçar os investimentos em qualificação profissional; buscar maior eficiência operacional em todos os pontos do nosso sistema produtivo.

Para alcançar os nossos objetivos, precisamos de uma junção de persistência no trabalho, arrojo na política e lúcido aproveitamento das possibilidades oferecidas. No agronegócio, o futuro não é algo a ser esperado, mas sim para ser construído. Para tanto, é necessária uma estratégia consistente, atualizada e autônoma.

É tempo de sonhar, de transformar os sonhos em realidade, de escrever o futuro que queremos. Mas também de diferenciar os sonhos das ilusões, o possível do irreal.

“Temos que buscar as melhores margens via investimentos em tecnologia”