Finanças

Touros facilitados

Leiloeiras lançam cartões de crédito e parcelamento diferenciado para a compra de reprodutores

Touros facilitados

A preço de ouro: Com a arroba valorizada e facilidade de financiamento, as vendas de touros, prometem ser aquecida Divulgação

Uma viagem para Nova York ou Orlando, nos Estados Unidos, ou para Paris, na França, com todas as despesas pagas e  ainda com direito a um acompanhante, certamente é o sonho de consumo de muita gente. Engana-se quem pensa que mimos como esses são oferecidos somente pelas agências de viagens. A novidade é apenas um dos benefícios do cartão de crédito do pecuarista, exclusivo para a compra de touros, que está sendo implantado, por algumas leiloeiras, nesta temporada. Além de ampliar de 12 para 24 parcelas, sem juros, o pagamento das compras, o cartão gera milhas aéreas em dobro aos portadores, que podem trocar os pontos por viagens. “Essa iniciativa é pioneira nos remates, proporcionando mais vantagens e maior prazo para o comprador”, diz Paulo Horto, dono da leiloeira Programa Leilões, de Londrina, no Paraná.

A novidade, implantada em julho deste ano, nos principais remates de touros, é fruto da parceria entre a leiloeira paranaense, o banco espanhol Santander e as bandeiras Visa e Mastercard. Segundo Horto, a aceitação por parte dos pecuaristas tem sido positiva. Além das vantagens oferecidas ao comprador, o vendedor, por sua vez, tem a garantia da operação, pois através do banco financiador, é possível antecipar, a qualquer momento, os recebíveis. “Essa ferramenta é boa para quem compra e melhor ainda para quem vende, já que o ofertador terá a certeza do recebimento de sua venda em dia”, diz Horto.


Conservador: Maurício Tonhá, dono da Estância Bahia, aposta nos leilões com maior número de parcelas para atrair novos compradores

O empresário, que no ano passado comandou a comercialização de cerca de 20 mil reprodutores, no total de R$ 164,8 milhões, acredita que o novo sistema ajudará no crescimento das vendas nesta temporada pela facilidade e pelos bons preços praticados até o momento. Enquanto nos primeiros três meses de comercialização do ano passado (junho, julho e agosto) a leiloeira vendeu reprodutores pela média de R$ 8 mil, neste ano, o valor está em torno de R$ 10 mil, um aumento de 25%. “As vendas estão só começando, e com o cartão de crédito tendem a aumentar”, diz Horto.

O novo sistema de venda, através do cartão de crédito, não é exclusividade da Programa Leilões. A novidade também está sendo oferecida pelo empresário Marcelo Silva, proprietário da leiloeira gaúcha Trajano Silva, de Porto Alegre. Segundo Silva, que em 2014 comercializou 5,5 mil machos das principais raças taurinas como angus, hereford e braford, o projeto, que está em fase final de ajuste, irá impulsionar as vendas.

“Estamos fazendo os últimos acertos com o agente financeiro, que ainda é mantido em sigilo, por questões contratuais”, diz. “Acreditamos que com o cartão de crédito, que será implantado ainda neste ano, as vendas serão aquecidas e apostamos em médias acima de R$ 9 mil por animal”, diz Silva.

Atualmente, o segmento sofre com a escassez de linhas de financiamentos para a reposição de reprodutores nas propriedades. Uma das poucas opções disponíveis é por meio do Programa de Modernização da Agricultura e Conservação de Recursos Naturais (Moderagro). No entanto, o programa, que oferece financiamento de até R$ 800 mil por cliente, a uma taxa de juro anual de 8,75%, com prazo de dez anos, é exclusivo para a produção leiteira. “Infelizmente, estão diminuindo cada vez mais os recursos do pecuarista brasileiro”, diz o empresário Maurício Cardoso Tonhá, dono da Estância Bahia, de Água Boa, em Mato Grosso. 


Vendas turbinadas: desde julho deste ano, o leiloeiro Paulo Horto da Programa Leilões, utiliza em seus remates, o cartão de crédito do pecuarista

Para Tonhá, que em 2014 comercializou mais de nove mil reprodutores, mesmo com a falta de linhas de financiamento, a implementação do cartão de crédito pelas leiloeiras, tem de ser vista com cautela. De acordo com ele, a ferramenta ainda não é um fator importante na tomada de decisão do produtor. “Temos remates que parcelam em até 40 vezes e isso também estimula o pecuarista a comprar”, diz. “Tudo que é novo tem de ser observado e, quem sabe o cartão de crédito se torne algo decisivo futuramente.”