Finanças

Uma nova moeda no campo

Que tal pagar insumos e fertilizantes com arrobas de boi? Sistema inédito de comercialização chega à pecuária brasileira

 

Valiosos: com a novidade, os bovinos se transformaram em moeda de troca na hora de adquirir insumos

Uma nova ferramenta para facilitar a comercialização de insumos vem chamando a atenção de pecuaristas. O sistema batizado de Beef Trade é inédito na pecuária e foi lançado pela Dow AgroSciences no final de 2009. A modalidade é bastante parecida com as negociações que já acontecem no mercado de grãos, no qual os produtores negociam a aquisição de insumos e fertilizantes diretamente com as empresas e pagam nos valores referentes à cotação das commodities. “No caso do Beef Trade, o pecuarista paga em arroba do boi”, explica César Vieira, gerente de commodities da Dow AgroSciences. Em pouco mais de um ano, a empresa já contabilizou 1 milhão de arrobas negociadas. A principal vantagem do sistema é reunir em uma única ferramenta todos os itens que o pecuarista necessita para realizar sua negociação, como a garantia de preço mínimo e máximo, prazo e a possibilidade de pagar em arroba, a verdadeira moeda de troca de quem cria. “Todo tipo de negociação que venha para facilitar a vida de quem cria é bemvinda”, explica Alex Lopes da Silva, da Scot Consultoria.

Inicialmente, o sistema disponibiliza um portfólio com 13 insumos, voltados especialmente para o manejo de pastagens. “Mas no futuro queremos ampliar o leque de produtos para negociação”, prevê Vieira. A partir disso, o pecuarista consegue fazer a aquisição dos produtos por um melhor preço – a cotação da arroba do boi no dia do fechamento do contrato – e pode pagar a prazo. “A Dow ainda garante um teto no valor da arroba, o que possibilita aos clientes um ganho maior caso ela fique abaixo do valor negociado”, explica Vieira. O valor da arroba é validado a partir do indicador Esalq/BM&F “Uma garantia a mais para ambos os lados”, explica Silva. Segurança, aliás, é uma das vantagens destacadas pelo pecuarista Robson Guimarães, que cria 26 mil cabeças de Nelore no Mato Grosso e foi o primeiro cliente a utilizar o novo sistema, ainda em 2009. “Ele permite ao criador fechar contratos futuros de forma segura e prática. E, para qualquer negócio, quanto menor o risco, melhor”. Segundo o pecuarista, um dos fatores que o levou a investir nesse tipo de negociação foi a referência de outros mercados.“Isso acontece muito nas negociações de soja e milho já há algum tempo.”

“Garantimos o preço mínimo e máximo da arroba. É mais segurança para o pecuarista”

César Vieira – Gerente de commodities da Dow AgroSciences

 

SÉRGIO SÉRIO: “O sistema não nos deixa à mercê das variações de preços do mercado e, assim, podemos nos programar”

Outro criador que está satisfeito com o modelo é Sérgio Sério, que fez sua primeira compra por meio do novo sistema em outubro passado. “É uma compra feita de forma segura, com preço fixo, na qual o criador não fica à mercê da variação do mercado”, explica. Ele cria nelore em Goiás e no Mato Grosso e é também vice-presidente da Associação dos Produtores do Vale do Araguaia (Aprova). Sério diz que o modelo vem agradando aos pecuaristas e só tende a melhorar. “Ferramentas como essa só vêm somar.” Quem faz coro com ele é Silva, da Scot. Para o consultor, além de ser tendência no mercado, contribui para que eles invistam mais na qualidade das pastagens e do manejo. “Com isso, o setor ganha com a melhor qualidade dos animais”, finaliza.