Finanças

Venda sua safra na BMF

NEGOCIAÇÃO NA BM&F: transparência e segurança nos negócios

O mercado futuro de commodities agrícolas é ótima opção para vender o seu produto, mas nem todos sabem como operar na BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros). Uma certeza você pode ter: é muito mais fácil do que tourear um boi bravo. Vamos usar como exemplo um produtor de soja que deseja garantir o seu preço de venda em um determinado número de sacas, fazendo-o no mercado futuro. É bom saber que todos os contratos são padronizados. Ou seja, são do mesmo tamanho e características: o de soja é equivalente a 450 sacas de 60 kg. No site da BM&F os contratos estão disponíveis para consulta (www.bmf.com.br).

Escolha a corretora

O agricultor escolhe uma corretora credenciada pela BM&F, baseado na premissa de que a empresa tenha profissionais qualificados. Peça uma apresentação na fazenda ou na associação dos agricultores local para esclarecimento de dúvidas.

Escolhi a corretora, e agora?

O produtor abre uma conta na corretora. Depois é solicitado o depósito de “margem de garantia” para início das operações. A margem é exigência da bolsa e garante que os participantes da operação tenham capacidade de honrar os compromissos assumidos. Pode ser em dinheiro ou ativos (títulos públicos, ações, carta de garantia, CPRs). Sua corretora poderá informá-lo melhor sobre isso.

Hedge é proteção

Em inglês hedge significa resguardarse. No mercado financeiro o termo define a operação de proteção de venda de contratos na BM&F como soja, café, algodão, milho e boi. Como é difícil saber o comportamento do preço dos produtos agrícolas no futuro, por exemplo, os produtores costumam fechar contratos com preços pré-definidos. Se lá na frente o preço do produto que você vendeu estiver abaixo daquele acertado na data do fechamento do contrato, é possível garantir um lucro mínimo em vez de registrar perdas. A idéia é a redução do risco, como nos negócios feitos com dólar ou juros no mercado futuro. Qual o risco para uma esmagadora de soja no mercado futuro? Seu risco é de a saca de soja subir. Assim o hedge será feito com a compra de contratos futuros. E para o produtor? O risco é de o preço cair. Com o hedge ambos ficam protegidos: preços de compra e venda futuros fixados.

“O processo de negociação é claro e acessível aos pequenos e médios produtores”

O que é ajuste diário?

Ajuste diário é um mecanismo de compensação para que as posições mantidas pelos clientes, nos mercados futuros, sejam acertadas financeiramente todos os dias, conforme apresentem ajustes positivos ou desencaixe financeiro negativo em relação ao preço de ajuste do dia anterior. Se o preço sobe, o vendedor tem ajuste negativo, paga e o comprador recebe o ajuste. Na situação oposta, se a cotação cai, o vendedor recebe e o comprador paga o ajuste. O produtor deve ter folga de caixa para poder fazer esses ajustes diários. A corretora escolhida pelo produtor se encarrega de fazer os créditos e débitos junto à bolsa e presta contas diariamente ao cliente.

O primeiro negócio

O cliente toma a decisão de fazer dois contratos como experiência. O operador passa o “mercado”, informando como estão as cotações no momento. Para o produtor, o preço da saca de soja está sendo negociado a US$ 18,60 com vencimento em março de 2008, ou seja, para ser entregue em março de 2008. O preço cobre seus custos e ainda uma margem de lucro. A decisão de venda é tomada e a operação, concluída. A corretora emitirá uma nota de corretagem, que será encaminhada ao cliente com custos operacionais, emolumentos, corretagem e o valor da venda. A BM&F também manda um extrato para o cliente. O processo é claro e acessível aos pequenos e médios produtores. A intermediação da BM&F garante transparência e segurança dos negócios.

é analista de investimento da corretora Souza Barros