Negócios

A genética olímpica

Pela primeira vez, quatro super cavalos brasileiros compõem o time equestre do País. No futuro, a tendência é ter mais estrelas competindo

A genética olímpica

Estreia: o atleta Márcio Appel e o cavalo Iberon Jmen fazem sua primeira Olimpíada Foto: Raphael Macek

Em julho, antes mesmo do início das Olimpíadas Rio 2016, que segue até o dia 21 deste mês, os criadores brasileiros de cavalos já comemoravam seu ouro. Pela primeira vez, o time de cavalos dos atletas passa a ter mais sangue nacional. Segundo a Confederação Brasileira de Hipismo (CBH), dos 15 animais listados, quatro são de genética brasileira: dois da raça brasileiro de hipismo e dois puro-sangue lusitano. “Isso é o resultado de um trabalho iniciado em 2013, junto com os criadores dessas raças”, diz Luiz Roberto Giugni, presidente da CBH. “Queremos, cada vez mais, a participação da genética brasileira em competições olímpicas.” A maior, até então, era a dos jogos de Atlanta, nos Estados Unidos em 1996, com três cavalos.

No caso da raça brasileiro de hipismo, o plantel nacional é de 35 mil animais registrados por 380 criadores. Desse total, 200 cavalos foram avaliados pela CBH, com cinco pontuando em provas classificatórias. Foi desse grupo que saíram  Iberon Jmen, 14 anos, do criador Rafael Gouveia Júnior, do haras Agromen, em Ortolândia (SP), e Landpeter do Feroleto, 13 anos, de propriedade de Benedito Nicotero Filho, do haras Feroleto, em Pirassununga (SP). Comprado em 2014 pelo atleta paulista Márcio Appel, 36 anos, Iberon será montado por ele; Landpeter será montado por Stephan Barcha, 26 anos. Os outros dois cavalos são os lusitanos Xamã dos Pinhais, montado por João Victor Oliva, 20 anos, e Xaparro do Vouga, pelo cavaleiro Pedro de Almeida, 22 anos. Além da possibilidade de medalhas, os cavalos são bons negócios para os criatórios. Segundo o criador paulista Antonio Celso Fortino, que faz parte do conselho da Associação Brasileira de Criadores do Cavalo de Hipismo (ABCCH), o preço de um animal campeão pode chegar a R$ 28 milhões no mercado europeu. “Ainda não consegui colocar nenhum animal nas Olimpíadas, mas estou trabalhando para isso, assim como muitos outros criadores”, diz Fortino. “Isso é negócio.”

Para o veterano Álvaro Affonso de Miranda Neto, o Doda Miranda, 43 anos, que participa pela quinta vez dos jogos, mas que desta vez não conseguiu pontuar com um animal brasileiro, os cavalos nacionais têm muito potencial para chegar ao pódio. “Duas de minhas conquistas foram montando um brasileiro de hipismo”, diz Miranda. Com Aspen, o atleta ganhou duas medalhas de bronze por equipe. A primeira em Atlanta e a segunda em Sidnei, na Austrália, em 2000. “Diferente daquela época, hoje é possível encontrar cavalos em quantidade e qualidade”, diz Miranda.