Negócios

A butique da raça brahman

Regina Duarte e Eduardo Lippincott têm a combinação perfeita na pecuária: ele é exímio criador e ela atrai celebridades

O CASAL, NA FAZENDA EM BARRETOS (SP): os dois são donos do criatório MAK Brahman, um dos melhores do País

Foi amor à primeira vista. Desde que a atriz Regina Duarte e o pecuarista Eduardo Lippincott conheceram a raça brahman, num leilão de gado em 2003, houve uma reviravolta na vida do casal. Lippincott, que já criava gado nelore há mais de 35 anos, abandonou a atividade extensiva para se dedicar à criação seletiva de brahman, enquanto a atriz, empolgada com o negócio, comprou uma fazenda em Barretos, a 450 quilômetros de São Paulo, também dedicada à raça. Pouco tempo depois, com os bons resultados obtidos, o casal fundou o criatório MAK Brahman, especializado na reprodução de animais de elite para venda e que já formou até alguns campeões. Regina conta que nunca havia se interessado por bois, mas, desde que passou a investir em gado, não deixou mais de acompanhar o andamento dos negócios, nem de freqüentar os leilões, muitos deles cercados por luxo e celebridades. “O Eduardo me contagiou. Quando eu o conheci, ele já criava, e desde então comecei a me interessar por esse mundo fascinante”, disse a atriz à DINHEIRO RURAL. “Gosto muito de ver nascer, acompanhar os cruzamentos e depois colher os resultados.”

Regina só não se dedica integralmente à fazenda em razão dos compromissos profissionais, como as novelas e as campanhas publicitárias. Mas sua presença na pecuária tem dado ótimos resultados para o criatório MAK Brahman. Isso porque, com seu carisma, Regina tem atraído novas personalidades para a raça, como a apresentadora Ana Maria Braga. Lippincot, naturalmente, aplaude. “Nosso negócio também é uma arte, pois buscamos o animal perfeito”, diz ele. A grande característica do brahman é a precocidade no abate, com melhor acabamento, ou seja, um maior índice de carnes nobres. Isso faz com que, mesmo indo mais cedo para os frigoríficos, os animais gerem um rendimento financeiro maior para o criador.

O casal explica ainda que todo o trabalho de reprodução na propriedade é feito utilizando a mais alta tecnologia disponível, o que aumenta significativamente a produção. Aplicando técnicas como fertilização in vitro e transferência de embriões, a MAK Brahman consegue fazer com que uma

CHOQUE GENÉTICO: touros que saem da fazenda cruzam com vacas nelore

doadora de ponta, que teria uma cria por ano, gere até 30 bezerros. “Trabalhamos com técnicas hi-tech de reprodução e isso multiplica o retorno com os animais de ponta”, explica Lippincott.

Para os criadores de elite, como Eduardo e Regina, não importa o número de cabeças, mas sim a qualidade dos animais. No caso do casal, o negócio principal é a criação de touros brahman puros para reprodução, principalmente com vacas nelore. Nesses cruzamentos, há o choque genético, que permite que os bezerros nelore “brahmados” ganhem peso mais rapidamente. “O brahman não veio para competir, e sim para somar”, diz Lippincott, que foi um dos primeiros a importar animais da raça dos Estados Unidos. “O acasalamento do brahman com o nelore produz um animal excepcional, pois enquanto o nelore puro é abatido com 3,5 anos, pesando 17,5 arrobas, o meio-sangue pode ser abatido aos dois anos, pesando 20,1 arrobas.” Isso significa mais dinheiro no bolso. E muita gente já percebeu isso. O brahman já atraiu criadores ligados a grandes grupos empresariais, como Odebrecht e Andrade Gutierrez. Além disso, Regina Duarte parece estar disposta a ser a “namoradinha” da raça.

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