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A nova estrela do cerrado

Castanha típica do Centro-oeste, o baru chega a alguns dos melhores restaurantes do País

Uma castanha, típica do Cerrado brasileiro, vem chegando de mansinho aos grandes centros e deve se tornar conhecida em pouco tempo. Praticamente desconhecido do público no Sudeste e Sul do Brasil, o baru era usado até pouco tempo atrás apenas como ração animal em Estados como Goiás e Mato Grosso. Agora, no entanto, já está presente em alguns dos melhores restaurantes do Brasil e é utilizado até para a fabricação de bebidas finas como as amendoadas.

Medindo aproximadamente três centímetros, o baru lembra uma amêndoa. Seu sabor, no entanto, é uma mistura de amendoim com nozes, mas um pouco mais forte e marcante. Exótico, vem fazendo sucesso entre os consumidores, tanto que o badejo com crosta de baru é o prato mais vendido do restaurante Brasil a Gosto, especializado em culinária brasileira, em São Paulo. “Fomos um dos restaurantes que introduziram o baru em São Paulo. Então sempre damos aos clientes uma breve explicação sobre o produto. Hoje é o prato de peixe mais vendido”, explica a chef Ana Luiza Trajano, que desenvolveu a receita após uma viagem a Pirenópolis, em Goiás. “Ele é bastante utilizado por lá. Eu fiquei apaixonada pelo baru e comecei a desenvolver as receitas”, conta ela.

EXÓTICO E ORIGINAL: licor Baruzetto (esq.) e badejo com crosta de baru (abaixo) são alguns dos usos da castanha na culinária

Além de saborosos pratos, o baru também vem sendo utilizado de outras formas. Há dez anos no Brasil, o italiano Gennaro Salvemini foi outro que conheceu a iguaria em uma visita a Pirenópolis – e nunca mais se desgrudou dela. Cozinheiro profissional, Salvemini já teve até um restaurante especializado, mas hoje se dedica exclusivamente ao comércio de produtos ligados ao baru, como o licor Baruzetto. “Fui eu mesmo que desenvolvi a fórmula. Tenho um bom conhecimento de licores e percebi que poderia valorizar o baru desta forma”, explica o empresário, que produz cinco mil litros da bebida por mês. “Bebidas como Amaretto, o Frangélico, a Amarula e o Bailey’s são todas feitas a partir de castanhas. Percebi que existia um grande mercado para atuar, pois estas bebidas são muito consumidas em todo o mundo.”

Para manter sua produção, Salvemini compra em média 400 quilos de baru todo mês, mas, com planos de internacionalizar sua marca, deve triplicar este número, gerando centenas de empregos na região de Pirenópolis.