Negócios

A saga de um ruralista

Conheça Henrique Prata, um pecuarista que se dedica a causas sociais e a competições eqüestres

Pecuarista, produtor rural, peão de rodeio, piloto. Estas são algumas atividades do empresário barretense Henrique Prata, 54 anos. Mas sua maior fama vem da vocação cristã de ajudar o próximo. Prata é o gestor do Hospital do Câncer de Barretos, que registra mais de dois mil atendimentos por dia. De segunda a sexta-feira, sua atenção está voltada para a administração da entidade. Já nos finais de semana, dirigese para as fazendas. Ao todo, são seis propriedades: duas em São Paulo, uma em Mato Grosso do Sul e três em Mato Grosso. A principal atividade é a pecuária de corte: cria, recria e engorda. Mas Prata também se dedica à criação de cavalos quarto-de-milha, tem um pouco de pecuária leiteira e produz grãos, como soja, milho e arroz.

Além disso, não deixa de lado seu hobby, que é montar a cavalo. Por conta deste prazer, criou a Pro Horse, uma empresa de eventos que organiza competições de Sela Americana e Bareback, em rodeios. De onde vem todo este empreendedorismo? Dos ensinamentos do avô, o pecuarista Antenor Duarte Villela.

Filho de médicos, Prata foi criado pelo avô, que dizia: “Se um dia quiser administrar as fazendas da família, terá primeiro que aprender a fazer de tudo: arrumar cerca, trabalhar como tratorista, domar os animais.” O conselho surtiu efeito. Aos 15 anos, o adolescente comunicou aos pais que não estudaria mais. “Os professores são babacas, aprendo mais com meu avô”, foi o seu comentário na época. Naquele mesmo ano, o jovem foi emancipado e assumiu a primeira fazenda. Três anos mais tarde, já gerenciava oito propriedades. Foi assim, aprendendo na prática, que Prata adquiriu seu repertório de gestor, que leva para todos os seus negócios – hoje, no entanto, o caminho é inverso do percorrido por Prata; cada vez mais a profissionalização da gestão é a tônica no campo.

Um deles é a organização do rodeio de Barretos, tarefa que desempenha como integrante de Os Independentes, clube responsável pelo evento. No entanto, mais que um integrante, Prata é um peão convicto. Seu traje não nega as origens: calça jeans justa, cinto com fivela larga, botas e chapéu. Além disso, em 1991, em Barretos, sagrou-se tricampeão de Bulldog, competição em que o esportista deve pegar o boi em movimento e derrubá-lo pelo chifre. Hoje não pratica mais a modalidade, mas não deixa de competir na Sela Americana; atua como madrinheiro, responsável pelo resgate dos competidores na arena, após a montaria.

Como líder rural, presidiu a regional de Barretos da União Democrática Ruralista (UDR) nos anos 80. Sua principal bandeira foi engajar a classe na luta por seus interesses. “Os fazendeiros eram muito apáticos à questão política”, diz Prata. Na época, sua maior luta foi defender a propriedade. “Existia uma brecha na Constituição e terras produtivas corriam o risco de ser desapropriadas”, relembra. Hoje, por conta do hospital, seus filhos Adriana e Antenor estão mais à frente dos negócios. Mas Prata não larga o osso. Só para citar um exemplo, enquanto a reportagem era feita ele fechou a importação de um lote de cavalos canadenses selvagens, ideais para a modalidade de Sela Americana. Por conta disso, a pergunta que fica no ar é simples: qual será o seu próximo negócio?

“Os fazendeiros eram muito apáticos na defesa da terra”

HENRIQUE PRATA, que já presidiu a UDR de Barretos