Negócios

A Vanguarda quer voar em campo

Com gestão profissionalizada, controle rigoroso de gastos e produção verticalizada, o grupo expande suas áreas e triplica o faturamento. O próximo passo será a bolsa de valores

Preparação: abrir o capital da empresa é uma das missões de Leonardo Slhessarenko, presidente do grupo

Matrizes: R$ 167 milhões serão investidos nos próximos quatro anos

Vanguarda do Brasil é o que se pode chamar de uma empresa sob controle. Tanto é que do seu caixa não sai um centavo sequer que não esteja previamente programado. Todas as quantidades e tipos de insumos utilizados nas lavouras são planejados e monitorados. Até o uniforme dos funcionários das fazendas é rastreado por um código que permite identificar a quem pertence cada peça do vestuário. Exagero? Paranoia? Para o presidente da empresa, Leonardo Slhessarenko, são essas medidas que podem fazer a diferença entre o lucro e o prejuízo. Há dois anos, ele deixou a área de tecnologia para mergulhar no mundo rural. E, mesmo longe de ser um típico fazendeiro, o jovem executivo de 37 anos e de fala mansa aceitou o desafio de substituir o produtor e empresário, Otaviano Pivetta no comando da empresa que planta algo em torno de 230 mil hectares. Desde então, ele toca um amplo projeto de modernização da gestão que pretende transformar uma promissora empresa familiar em uma potência agrícola global.

“Estamos nos preparando para ser a maior empresa agrícola do mundo”, afirma. E, se os planos não são modestos, os resultados tampouco. Se há alguns anos a Vanguarda já chamava a atenção pelo seu crescimento acelerado, hoje seus números a tornam um verdadeiro império agrícola, que cresce a uma impressionante taxa de 42% ao ano. São 12 fazendas, que, entre soja, milho e algodão, produzem cerca de 850 mil toneladas de grãos por ano. O faturamento, que em 2006 era de R$ 365 milhões, deve atingir a marca de R$ 830 milhões em 2010.

Em 2006, Pivetta percebeu que para crescer seria necessário profissionalizar a fazenda e transformá-la em uma empresa de fato. Assim, ele resolveu deixar a presidência do grupo para ser presidente do recém-formado conselho de administração, hoje composto por membros da própria família, pelo banco UBS Pactual, que em 2005 adquiriu 10% da empresa por R$ 111 milhões, e representantes da nova diretoria. Mesmo sendo uma empresa de capital fechado, a Vanguarda opera como se estivesse listada em bolsa.

Todos os seus balanços são publicados trimestralmente e auditados pela KPMG, uma das mais respeitadas empresas de consultoria do mundo. “Em outubro, já definimos todos os passos para o próximo ano”, conta o presidente. “A maior parte dos nossos custos está indexada ao dólar. Nós compramos insumos em dólar e pagamos com soja, cujo preço também é ‘dolarizado’. Quando compro o fertilizante, já travo o preço de venda da soja com hedge, baseado no preço de compra do insumo e firmando uma margem. Dessa forma, 75% dos nossos custos estão garantidos”, revela o gerente-geral comercial, Rodinei Frangiotti.

Com o caixa em ordem e os gastos sob controle, a ordem é verticalizar cada vez mais as suas operações. A fazenda Ribeiro do Céu, principal unidade de produção do grupo, exemplifica bem esse posicionamento.

Todo o volume de grãos produzidos nos 30 mil hectares são processados na própria unidade. A maior parte é transformada em ração para os bois e suínos criados dentro da fazenda. “Em vez de vendermos proteína vegetal, comercializamos proteína animal, que tem um valor agregado muito maior”, explica o diretor de produção, Emílio Telles. O confinamento tem capacidade estática para engordar até 150 mil cabeças. Na parte de suínos, a granja conta com 5,5 mil matrizes e comercializa cerca de 140 mil animais por ano. A estratégia tem dado tão certo que a empresa já estuda ampliar o modelo. Serão investidos R$ 167 milhões em quatro anos, aumentando o número de matrizes para 28 mil. “Com isso, poderemos direcionar 100% da nossa produção de milho para os nossos suínos”, pondera Telles. A empresa também não compra terras e 75% da área é arrendada. “Trabalhamos com receita por hectare. É isso que buscamos.” Com números positivos e potencial de crescimento, o possível próximo passo da empresa é partir para a abertura de capital, algo visto como um caminho natural pelo vice-presidente, Syllas de Lima. “Acredito que isso acontecerá naturalmente e, se acontecer, estaremos prontos”, pondera. Resta saber quais serão os novos voos da Vanguarda.

 

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