Negócios

A arrancada global do etanol

Com a aquisição da americana Eco-Energy, a Copersucar se torna a maior distribuidora de biocombustível no mundo

A chance de que o etanol venha a se transformar em uma commodity global, assim como o milho e a soja, ganhou um grande impulso no começo de novembro, com a aquisição do controle da americana Ec o -Energy pela Copersucar. Com o negócio, cujo valor é estimado em US$ 100 milhões, a companhia brasileira se transforma em líder mundial em venda de biocombustível, com uma participação de mercado de 12%. Juntas, as duas empresas passam a faturar US$ 10,5 bilhões e a controlar a venda de dez bilhões de litros por ano. “Estamos internacionalizando a Copersucar no mercado de etanol”, disse Luís Roberto Pogetti, presidente do conselho de administração da Copersucar, que passa a acumular a mesma função na Eco-Energy. Brasil e Estados Unidos são os dois maiores mercados produtores e consumidores do combustível produzido a partir da cana-deaçúcar e do milho.

 

A transação ainda precisa ser aprovada pelas autoridades americanas. As duas operações serão mantidas de forma independente e focadas em seus mercados internos. Mesmo assim, a Copersucar vê diversas oportunidades para eliminar intermediários no mercado americano com o negócio. O CEO Paulo Roberto de Souza acredita que, ao controlar a Eco-Energy, a companhia brasileira passará a ter acesso direto aos produtores americanos de etanol e às grandes redes de distribuição de combustível naquele país. O plano da Copersucar é dobrar o tamanho da Eco-Energy, tanto em receita quanto em volume de etanol comercializado, em três anos. “A aquisição é estratégica tanto para a Copersucar quanto para o projeto de internacionalização e ‘commoditização’ do etanol no mercado mundial”, afirma Plinio Nastari, presidente da consultoria paulista Datagro. 

O desafio, no entanto, não será trivial. O cenário para o etanol no mercado brasileiro e mundial é adverso. Não há, atualmente, investimentos em novas usinas e parte dos canaviais não foi renovada, o que reduziu a produtivid a d e d a safra. Por dois anos consecutivos, a produção caiu. O  consumo, por sua vez, voltou ao patamar de 2008. Em contraposição, a importação disparou e cresceu 15 vezes, chegando a 1,1 bilhão de litros no ano passado. A despeito dessa crise, a Copersucar tem conquistado resultados expressivos no mercado local. A capacidade de moagem chegou a 143 milhões de toneladas, duas vezes superior do que há quatro anos. Ela também vendeu 50% a mais de etanol no mesmo período. Ofaturamento triplicou,  chegando a R$ 15 bilhões no ano passado.

Esse desempenho positivo devese, pelo menos em parte, à profissionalização da gestão da empresa, iniciada em 2008, quando se transformou em uma sociedade anônima de capital aberto. As 48 usinas que faziam parte da antiga cooperativa, fundada em 1959, tornaram-se sócias da nova empresa e assinaram acordos de fornecimento exclusivo de suas produções. “Isso trouxe mais transparência à companhia”, diz Nastari. Em 2011, a Copersucar tentou abrir o capital, mas desistiu diante de um cenário econômico desfavorável. O projeto foi adiado, sem prazo para se retomado.

Esse revés, no entanto, segundo Pogetti, não deve atrapalhar os investimentos da Copersucar no Brasil. A companhia tem planos de desembolsar R$ 2 bilhões de 2011 a 2015. Dois projetos são considerados essenciais. O primeiro deles é a expansão do terminal no Porto de Santos, cuja capacidade de armazenamento alcançará oito milhões de toneladas, 50% a mais do que a atual. A antiga cooperativa também participa da construção de um etanolduto que liga o Centro-Oeste e o interior de São Paulo ao Porto de Santos. Ela detém 20% da Logum, responsável por esse empreendimento, que tem como sócios também a Petrobras, Raízen (união da Cosan com a Shell), Odebrecht, Camargo Corrêa e Uniduto Logística.