Negócios

Case IH para pequenos

A fabricante de máquinas agrícolas agora está com foco em expansão para atingir pequenos e médios produtores

A Case IH no Brasil até pouco tempo atrás era conhecida como uma marca de nicho por atuar exclusivamente com máquinas de alta potência. Ter um trator ou colheitadeira Case era um privilégio para poucos. No entanto, em novembro do ano passado, no epicentro da crise financeira, a empresa confirmou a decisão de importar para o Brasil os tratores Farmall de baixa e média potência. Já consolidada na Europa, esta linha traz máquinas de 80 e 90 cavalos de potência na faixa de R$ 100 mil. Como o próprio nome já diz, Farm + all, o trator é um curinga na fazenda, podendo ser utilizada para as mais diferentes atividades. Outra novidade é a ampliação da linha de tratores Maxxum, que agora conta com modelos de 100, 110 e 125 cavalos de potência na faixa de R$ 130 mil. “Nossa meta é dobrar a empresa em três anos e fortalecer a marca Case IH na América Latina”, diz Sérgio Ferreira, diretor-geral da Case IH América Latina.

O lançamento oficial das novas máquinas aconteceu durante o Show Rural Coopavel, em Cascavel, no Paraná. Com ele, a Case IH passa a participar de um segmento que representa 60% do mercado brasileiro de tratores. “Antes atuávamos em tratores acima de 130 cavalos e tínhamos uma participação entre 1% e 1,3% do mercado. Agora a estratégia é aumentar a participação para 3,5% ainda este ano”, diz Ferreira. E os planos da empresa vão além. “Em um segundo momento, vamos entrar no segmento de tratores dos programas sociais, máquinas abaixo de 70 cavalos de potência”, ressalta o diretor. A explicação está no crescimento deste nicho de mercado. Só para se ter uma ideia, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), em janeiro deste ano, as vendas de tratores cresceram cerca de 10% em relação ao mesmo mês de 2008 e o carro-chefe foram os tratores de baixa potência.

No momento, a ideia é consolidar a introdução das novas linhas para, no médio prazo, nacionalizá-las. Como o Finame e o Moderfrota não financiam máquinas importadas, a Case IH está com uma linha de financiamento no banco CNH e também no Bradesco, no mesmo molde desses programas. Além disso, está fazendo consórcios, que são uma ferramenta para ajudar os agricultores neste período de escassez de crédito. Todos esses detalhes fazem parte do plano de expansão que tem por meta alcançar a participação de 10% no mercado brasileiro de tratores em 2012.

A estratégia para isso é alavancar o número de concessionárias. Hoje a empresa está com 47 lojas, mas o plano é elevar este número para 61 em 2010. Tanto é que a Case IH está com o programa Dealers Standart para identificar empreendedores com know-how no campo interessados em abrir novas concessionárias. “Principalmente em regiões como o Rio Grande do Sul, queremos encontrar parceiros que já lidam com o agricultor ou que ao menos tenha familiaridade com o setor automotivo”, diz César Di Luca, diretor comercial da Case. Se o empresário se enquadrar no perfil desejado pela empresa, poderá ser um concessionário Case. No entanto, o investimento inicial é do interessado. “Mas, se ele atingir a meta estabelecida, recebe um prêmio sobre o faturamento, que geralmente cobre todo o investimento em infraestrutura do ano”, explica Alexandre Martins, do desenvolvimento de rede. A boa notícia é que os novos concessionários terão a seu dispor um vasto portfólio de produtos. Segundo Ferreira, os lançamentos deste ano não param aqui. Ele ainda salientou que a Case já iniciou estudos para desenvolver colheitadeiras menores com o sistema axial. Além disso, a empresa anunciou que investirá R$ 1 bilhão na fábrica de Sorocaba, que será dedicada a máquinas agrícolas e de construção. Quem sabe, no futuro, esta unidade não seja a responsável pela fabricação dos tratores Farmall no Brasil? De qualquer forma, é a Case na contramão da crise.

 

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