Negócios

De olho na demanda brasileira

Produtores de azeite de oliva do Chile se organizam para conquistar o consumidor no País

Se alguém visitar o Chile, especialmente para conhecer os produtos do campo, certamente vai destacar a qualidade dos vinhos, peixes e frutas. Os mais antenados, porém, jamais deixariam de fora dessa lista o azeite de oliva produzido na região central do país andino. No mercado consumidor brasileiro, cobiçado pelo alto potencial de demanda, o azeite  chileno ainda está longe de ser um produto largamente utilizado,  como são os azeites portugueses, italianos e espanhóis. Para sanar essa lacuna, no mês passado, representantes da Associação de Produtores de Azeite de Oliva do Chile (Chileoliva) estiveram em São Paulo com a missão de mostrar o potencial de seu produto. “No ano passado, 20% de nossas exportações foram para o Brasil”, afirma Gabriela Moglia, gerentegeral da Chileoliva. “No primeiro semestre deste ano, subiu para 50%, mas queremos mais, pois o mercado brasileiro é gigante.” Em 2013, o Brasil  comprou do Chile 2,5 mil toneladas de azeite, ante 909 toneladas de 2012, um incremento recorde de 172%. No acumulado deste ano, até julho, foram 1,8 mil toneladas, alta de 82% em relação ao mesmo período de 2013. No entanto, apesar de as importações do azeite chileno terem crescido, ela ainda é pequena. Em valores, representou entre janeiro e julho apenas 1,6% do total das compras brasileiras no Chile, que somaram US$ 643 milhões. 

Para atrair o consumidor local, a Chileoliva começa neste mês uma campanha junto a restaurantes e supermercados para posicionar a marca Azeite de Oliva do Chile Extravirgem. “Trata-se de uma campanha feita para que o brasileiro identifique o produto chileno como de alta qualidade”, diz Gabriela. Este ano o Chile deve produzir 15 mil toneladas, mas quer chegar a 50 mil nos próximos três anos. A área de cultivo de oliveiras é de mais de 25 mil hectares. “Nossa produção é jovem, tem cerca de 15 anos, e os olivais ainda não entraram em plena carga”, afirma Gabriela. De acordo com Roberto Paiva, diretor do ProChile, escritório do governo  chileno de apoio às exportações, com uma produção crescente vai ficar mais fácil negociar. “A imagem do Chile precisa ser de um país que vende quantidade e qualidade”, diz. “Estamos apostando que o brasileiro enxergará essa proposta.”