Negócios

Delicada eficiência

Crescente presença feminina desperta interesse de indústrias de tecnologia e representa economia no dia a dia do agronegócio

Zelo: mulheres cuidam mais do equipamento e já são 45,1% da mão de obra no campo

Mulheres vêm ocupando funções que eram consideradas masculinas, mesmo aquelas que exigem força física e braçal. No campo, a contratação dessa mão de obra vai além de uma estatística social e tornou-se uma questão de economia. Usinas de etanol e açúcar lançam frentes femininas de trabalho e lucram com a conservação de maquinários caros e o senso de organização profissional delas. Enquanto isso, a indústria busca mais tecnologia para facilitar o acesso feminino a trabalhos “pesados”. Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) apontou que até o fim do ano passado as mulheres já representavam 45,1% da população atuante no campo, enquanto esse índice gira em torno de 35,5% nos centros urbanos.

No Grupo ETHBrenco, a contratação de mulheres já é prioridade em algumas funções, como a colheita da cana. “Elas são zelosas e cuidam do equipamento com delicadeza e isso implica maior rentabilidade, já que a máquina nunca precisa ficar ociosa para sofrer reparos”, justifica José Carlos Grubisich, presidente da empresa.

O grupo nordestino Carlos Lyra também investiu nesse nicho. “Instituímos frentes de trabalho femininas nas unidades mineiras, com resultados altamente surpreendentes e rentáveis”, declara Magno Lyra, presidente do grupo.

Os cuidados e o senso de organização das mulheres é o que mais chamam a atenção dos empregadores. “A mão de obra feminina é a mais procurada para a operação de colheitadeiras de cana, por causa da sensibilidade para a manutenção preventiva. No primeiro sinal de problema com a máquina, elas param e pedem para os técnicos verificarem”, explica José Darciso Rui, consultor de recursos humanos da Floralco/Sucral, usina localizada no interior paulista. Segundo ele, elas são a maioria nos cursos de capacitação e a tendência é crescente. O IBGE aponta que 61,2% das trabalhadoras rurais têm 11 anos ou mais de estudo, enquanto 53,2% dos homens buscam conhecimento técnico.

A delicadeza feminina e o avanço delas têm feito com que a indústria invista em novas tecnologias para garantir esse acesso. “Hoje em dia, você aperta um botão e consegue dominar uma colheitadeira gigantesca”, diz Lyra. “A tecnologia permite que os equipamentos sejam mais leves, ergonômicos e potentes, exigindo menos esforço físico na operação”, diz Ronaldo Callman, gerente de marketing da Husqvarna, empresa fabricante de equipamentos para o manejo, que investiu na criação de uma motosserra com menos de três quilos. “A chegada dessa máquina reflete uma mudança no cenário brasileiro”, diz.