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Diamante negro

Produtores chilenos querem vender trufas para o Brasil, uma iguaria que custa, em média, US$ 1 mil o quilo

Diamante negro

boa mesa: as trufas negras, cogumelos de uma espécie rara e nobre, podem ser um bom negócio no País Divulgação

Os produtos chilenos estão presentes em quantidade na mesa do brasileiro. O país andino já é o maior fornecedor de vinhos, frutos do mar e peixes, especialmente o salmão. No ano passado, por exemplo, o Brasil comprou 75,7 mil toneladas do peixe. Agora, os chilenos querem mais uma fatia do mercado, dessa vez para um produto da alta gastronomia: as trufas negras, fungos que pertencem a uma espécie rara e nobre de cogumelo. Chamada de diamante negro, a trufa, que leva cinco anos para chegar ao ponto de colheita, cresce (inclusive por indução) nas raízes de poucas árvores, como a castanheira e o carvalho. Não por acaso, um quilo da iguaria custa US$ 1 mil, em média. “Queremos colocar mais um produto na nossa corrente exportadora para o Brasil”, diz Oscar Paez Gamboa, diretor do Escritório Comercial do Chile no Brasil (Pro Chile).

A pecuarista chilena Claudia Cerda, que começou a cultivar trufas há quatro anos para diversificar os negócios da fazenda localizada na Patagônia, esteve no Brasil com outros três produtores no final de junho. Ela faz parte de um grupo de 30 chilenos que criaram a Associação de Truficultores do Chile, em 2013. O grupo é dono de 100 hectares, onde  começam a ser colhidas as primeiras trufas. O país produziu 50 quilos em 2015. Neste ano, a estimativa é de 100 quilos. Claudia realizará sua primeira colheita em 2018. “Fui chamada de louca, por apostar em uma cultura na qual eu ficaria anos sem saber os resultados”, diz. “Mas há produtores do grupo já vendendo trufas para a Suíça e o Canadá, e negociando com os Estados Unidos. Agora, só falta o Brasil”.

Para o empresário Carlos Claro, que em janeiro de 2015 criou a marca Tartuferia San Paolo, na capital paulista, as possibilidades de negócio são grandes. Além de ofertar o cogumelo em dois restaurantes próprios, Claro também vende produtos trufados, entre eles mel, requeijão e azeite.  “Vejo cada vez mais pessoas apreciando o produto.” O Brasil importa, em média, 240 quilos de trufas da Itália por ano, que juntamente com a Espanha e a França, forma o grupo dos maiores produtores mundiais: são cerca de 60 toneladas por ano. Para os chilenos, o Brasil é uma oportunidade atrativa de negócio pela proximidade entre os dois países, permitindo que o produto chegue ao consumidor rapidamente. A vida útil de uma trufa fresca é de apenas dez dias. Karin Staub, porta-voz da associação dos truficultores e também produtora, afirma que outra vantagem é o período em que a trufa está disponível. “O Brasil pode ter trufas frescas durante todo o ano”, diz ela. Isso porque a espécie cultivada em 390 hectares na metade sul do Chile é a Tuber melanosporum, a mesma da Itália.  A colheita chilena ocorre de maio a setembro, na entressafra europeia, que vai de dezembro a março.


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