Negócios

Ele continua na área

Para reorganizar os negócios, Jonas Barcellos, um dos maiores criadores de nelore do País, vai vender parte de seu rebanho

Em junho, quando começou a circular nos bastidores das exposições agropecuárias realizadas no País os rumores de que Jonas Barcellos Corrêa Filho deixaria de criar gado nelore, o diz que diz foi intenso. Afinal, o que Jonas Barcellos, como ele é conhecido, faz ou deixa de fazer chama a atenção do mundo nelorista. Além de criador e um grande investidor em genética nelore, Barcellos é o primeiro vicepresidente da Associação Brasileira de Criadores de Zebu, a entidade que representa as raças zebuínas, com mais de 14 mil sócios e 15 milhões de animais registrados. “Não é verdade que estou parando de criar nelore”, diz Barcellos. “Mas é verdade que vou deixar os julgamentos de animais nas exposições e promover dois dos meus principais leilões”, diz Barcellos.

Criador de gado desde a década de 1970, Barcellos mantém um ritual há cerca de 20 anos. Em maio e em setembro de cada ano, ele e um grupo de criadores recebem cerca de 1.500 convidados na chácara Mata Velha, em Uberaba (MG), para o leilão Elo da Raça, durante a Expozebu (maio), e para o leilão Mata Velha, durante a Expoinel (setembro). São as principais exposições de nelore, no País. Uma pequena parte desses convidados, pinçados entre os grandes investidores do nelore, vai aos leilões arrematar fêmeas doadoras, cujos preços podem passar de R$ 1 milhão. Mas, a maioria dos convidados vai mesmo para dar uma espiada no tipo de animal que Barcellos leva à pista de leilão e, se for possível, arrematar algum outro por um preço mais em conta. Nos últimos cinco anos, a venda de 327 lotes, entre fêmeas e prenhezes, rendeu um faturamento de R$ 145,2 milhões. Paralelamente, Barcellos tem participado de cerca de 20 exposições agropecuárias, anualmente, para pontuar no ranking nacional da raça, no qual ele já conquistou inúmeras vezes o primeiro lugar nas categorias de criador, expositor e de animais grandes campeões.

Barcellos vai deixar os dois leilões de elite, mas diz que não vai parar de promover leilões. Porém, daqui para a frente serão apenas eventos virtuais, transmitidos a partir dos estúdios de tevê. “Não vou deixar a pecuária porque ela faz parte da minha vida”, diz Barcellos, que neste ano completou 73 anos. Segundo ele, a idade é o motivo principal da desaceleração de suas atividades no campo, combinado com a reforma que vem promovendo nas empresas do grupo. “Não estou dando conta dos meus compromissos e por isso tomei algumas decisões”, diz. As sete fazendas que possui em Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso fazem parte do Grupo Brasif, holding que opera em atividades como aluguel de máquinas pesadas e gestão de fundos de investimentos e nos últimos três anos investiu mais de R$ 800 milhões em usinas de cana-de-açúcar no interior paulista. “Todos os negócios estão sendo passados para o Renato”, diz. “Quero mais o tempo dele, para tudo”, diz Barcellos. Renato Barcellos é o único filho de Jonas e já administra todos os negócios da holding no campo, mas não os demais.

Em Uberaba ficarão 3.800 animais POs (puros de origem). “Nunca pensei em colocar todos à venda”, diz Barcellos. “Vai apenas a cabeceira do plantel.” Esses animais serão vendidos em leilões neste mês e em novembro. Ao mesmo tempo, as parcerias com outros criadores serão mantidas. “Os animais top que nascerem, vou emprestar para os amigos que quiserem levá-los às exposições”, diz Barcellos. De acordo com ele, as exposições são importantes, por ser um momento em que é possível um criador comparar seu trabalho com o de outro criador. “A pista destaca os animais excepcionais”, diz. “E só os excepcionais é que provocam mudança.”

ENCONTRO DE MILIONÁRIOS: o leilão Elo da Raça, realizado em Uberaba (MG), durante a Expozebu, sempre atraiu grandes investidores

Barcellos garante que os dois eventos que ele deixa de ser promotor permanecerão no calendário do nelore. “Sempre promovi os leilões com um grupo de criadores e são eles que vão realizá-los daqui pra frente”, diz. “Mas já avisei que quero ser convidado.” Por isso, nem mesmo o local mudará, a chácara Mata Velha continua como a sede dos leilões. Entre os que assumem a tarefa estão Eduardo Biagi, atual presidente da ABCZ, além de Jayme Miranda e Orestes Prata Tibery, criadores de longa data, alguns há mais de 40 anos.