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Em busca de precisão

Como a Associação Brasileira de Inseminação Artificial se tornará uma gestora de dados econômicos do setor

Em busca de precisão

"A transparência vai fazer com que o produtor saiba o peso de cada real investido em sêmen” Carlos Vivacqua, presidente da Asbia

Em novembro, o empresário Carlos Vivacqua, diretor da AG Brasil Inseminação Artificial, uma joint venture que tem como parceira a cooperativa americana Accelerated Genetics, deixará a presidência da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia), com sede em Uberaba (MG). Seu legado, porém, deve marcar um novo tempo na entidade. A Asbia, que reúne 32 centrais de inseminação, caminha para ser uma gestora de dados econômicos de um setor que no ano passado vendeu 12 milhões de doses de sêmen. “A inseminação artificial em bovinos é um mercado em crescimento e cheio de mudanças pela frente”, diz Vivacqua.

A Asbia nasceu em meados dos anos 1970 e realiza anualmente um levantamento sobre o volume de doses colocadas no mercado, mas jamais fez uma medição sobre a sua dimensão econômica. A estimativa é de que esse mercado seja da ordem de R$ 500 milhões anuais. O trabalho inédito da entidade será o monitoramento financeiro do mercado de sêmen no País, que passará a ser anual. “Com o mercado monitorado, um criador poderá saber o preço médio de uma dose de sêmen na sua região e assim negociar melhor com as centrais de inseminação”, diz Vivacqua. “A transparência econômica vai fazer com que o produtor saiba o peso de cada real investido em sêmen e o que ele reverteu para o rebanho”, diz Vivacqua.

Para o criador de nelore mocho, Carlos Viacava, que também é vice-presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu, o monitoramento pode incentivar de fato o aumento do uso de sêmen. “Se eu faço a conta de quanto um sêmen me custou e quanto ele reverteu em carne, o preço da genética ganha ainda mais sentido”, diz Viacava, dono de um rebanho de cerca de seis mil animais, dos quais uma dezena está em centrais de inseminação para coleta. O Brasil, dono do maior rebanho comercial do mundo, com 212,3 milhões de bovinos, utiliza a inseminação em cerca de 15% das fêmeas. Nos Estados Unidos, o índice é de 60%.

Para dar início ao levantamento de dados, as empresas associadas à Asbia vêm discutindo desde maio o modelo a ser adotado. Mas para gerir as informações a entidade já escolheu um parceiro: será o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP), um dos institutos mais respeitados do País. “A suinocultura faz muito bem o acompanhamento de seu mercado, vinculando a rentabilidade de um animal ao valor de sua genética”, diz Vivacqua. “O setor de bovino ainda não faz essa correlação, mas é uma questão de tempo.”A previsão é de que o relatório Asbia 2016, que deverá ser apresentado em março, já traga os dados econômicos por raça e o preço médio da dose de sêmen, por região. O anúncio caberá ao novo presidente da Asbia, Sérgio Pietro Saud, atual vice-presidente e diretor da CRI Genética, subsidiária da também americana Cooperative Resources International, com sede no Estado de Wisconsin