Negócios

A empresa que nasceu gigante

A Agrex do Brasil, ex-Ceagro Los Grobo, que faturou R$ 1 bilhão em 2013, planeja crescer 30% neste ano, apostando na diversidade de seus negócios.

Adquirida pela japonesa Mitsubishi Corporation, numa transação bilionária realizada no ano passado, a trading e produtora goiana Ceagro Los Grobo do Brasil vai colocar em prática um ambicioso plano de crescimento. Rebatizada de Agrex do Brasil, a empresa comandada pelo Ceo Paulo Fachin, fundador da Ceagro, pretende dobrar o volume de transações realizadas com grãos, principalmente de soja, para 2,4 milhões de toneladas por ano. “Vamos investir mais em infraestrutura, especialmente em logística e armazenagem”, diz Fachin, que detém 20% do capital da nova empresa. Para isso, serão injetados R$ 300 milhões nos próximos anos. A Agrex briga por espaço entre empresas gigantes do agronegócio, como Cargill, Bunge, Amaggi e Ceagro agrícola, que operam desde a originação até a exportação de commodities no País, além da venda de insumos e produtos.

No mês passado, os primeiros investimentos dessa nova fase começaram a aparecer. Em março, a Agrex iniciou os trabalhos de embarque de soja através dos portos de Tubarão, no Espírito Santo, e Santos, no litoral paulista. “A operação nesses dois terminais trará um volume adicional, neste ano, à já consolidada operação pelo terminal marítimo Ponta da Madeira, em São Luís, a capital maranhense”, diz Fachin.

No ano passado, ainda como Ceagro Los Grobo, a empresa comercializou 1,2 milhão de toneladas de grãos. Atualmente, a Agrex cultiva 70 mil hectares de soja e milho no Centro-oeste, no norte e no nordeste
do País, além de comercializar produtos e prestar serviços a grandes produtores de sete estados. Entre eles, figuram os que fazem parte da nova fronteira agrícola Mapitoba, sigla que engloba parte do Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia, além de Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais. “Com essa carteira de negócios queremos promover uma expansão gradual em nossa área de produção”, diz Fachin.

Em relação à área cultivada, porém, o objetivo não é comprar ou arrendar terras, e sim melhorar a eficiência e produtividade das fazendas. Hoje, a produtividade média da soja, por exemplo, está em 2,7 mil quilos por hectare, mas poderia ir facilmente a três mil quilos. Nas melhores terras da empresa, a atual produtividade já é de 3,8 mil quilos por hectare.

Com a nova estrutura, a previsão de crescimento do faturamento para este ano é de 30%, ante a receita próxima de R$ 1 bilhão em 2013. A receita engloba a Agrex, a subsidiária Synagro, na Bahia, e a joint venture de fertilizantes Península Norte, em São Luís do Maranhão. Todo esse complexo é responsável por quatro unidades de negócios: insumos, trading, processamento e produção. A área de insumos opera com importação, mistura e distribuição de fertilizantes, bem como distribuição de produtos químicos, produção e venda de sementes próprias e de terceiros. Já a trading possui uma rede de armazéns espalhada pelo País e uma capacidade estática de 600 mil toneladas de grãos.

A Agrex conta, ainda, com infraestrutura logística própria com dois transbordos rodoferroviários às margens da ferrovia norte-Sul, em Porto Franco (MA) e Porto Nacional (TO). Este último ainda está em construção. O processamento de grãos é realizado em uma fábrica em Goiatuba (GO), onde é produzido farelo de soja, um importante componente na formulação de rações. “Estamos apostando nessa diversidade para cumprir metas”, diz Fachin. “É ela que vai nortear nosso futuro.”

 

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