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Êta frutinha arretada

Originária da Amazônia e dos Andes, a physalis já é produzida no Brasil, ganha adeptos, mas continua cara

Beleza camuflada. Assim pode ser definida a physalis, fruta da família do tomate que vem conquistando o paladar dos brasileiros. De cor amarela, ela tem um sabor levemente ácido e é envolta por uma fina folha seca, que lembra o papel de arroz. Natural da Amazônia e dos Andes, é cultivada na Europa e na Ásia. Mas é na América do Sul que se encontra o maior produtor, a Colômbia, onde é comercializada pelo nome de uchuva. No Brasil, a physalis é pouco conhecida, sobretudo no Centro-Sul. Um dos primeiros casos de produção comercial de que se tem notícia é o da empresa gaúcha Italbraz, situada em Vacaria (RS). Mas hoje, a 50 quilômetros de São Paulo, na cidade de São Roque, o casal Antônio Caldas e Cláudia Maziero está se dedicando ao cultivo da fruta, no sistema orgânico, sem uso de agroquímicos. Empresário do ramo de internet, Caldas comprou a propriedade de 35 hectares, batizada como Fazenda Fiore, em 2001. Por questão de qualidade de vida, mudou-se com a esposa para lá e há dois anos começou o plantio comercial de physalis.

A frutinha amarela demora cerca de seis meses para entrar em produção. Por isso, a estratégia de Caldas é trabalhar com duas áreas distintas. “Quando uma entra em produção, eu inicio o plantio da segunda”, diz. Assim como o tomate, a physalis é uma espécie de arbusto plantado em estacas. Sua produtividade é de duas toneladas por hectare/ mês e seu preço no varejo varia de R$ 50 a R$ 80 o quilo. Pela proximidade de São Paulo, o objetivo é fornecer a fruta in natura. O compromisso da fazenda Fiore, que tem a produção certificada como orgânica pela Organização Internacional Agropecuária (OIA), é entregar o produto fresco ao consumidor em menos de 24 horas após a colheita, uma grande vantagem em relação à physalis importada da Colômbia. Além da beleza estética, o produto tem apelo medicinal. Entre tantas coisas, ela fortalece o sistema imunológico, evita a rejeição de órgãos transplantados, alivia dores de garganta e ajuda a reduzir o colesterol. Na divisão de tarefas, Cláudia se responsabiliza pela produção e desenvolvimento de mercado, enquanto Caldas responde pela comercialização e distribuição. Hoje, os principais clientes são os restaurantes vegetarianos Gaia e Vegethus, empórios Santa Luzia e São Paulo e sites como www.aboaterra.com.br e www.caminhosdaroca.com.br. Segundo Augusto Pinto, proprietário do Gaia, a fruta tem tido ótima aceitação. “Usamos na decoração de tortas e bolos e fazemos sobremesas, como a peróla de physalis, um bombom em que a fruta é envolta por uma calda de chocolate”, conta.