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Honda tem a máquina do "Novo peão"

Empresa japonesa encontra um promissor mercado no velho boiadeiro, que está trocando os cavalos por motos e quadriciclos para lá de envenenados

VANTAGENS: veículos são mais ágeis e rápidos do que os cavalos

Foi-se o tempo em que o peão pegava seu cavalo pela manhã, trabalhava o dia todo no lombo do animal, chegava ao final do dia literalmente “quebrado”, mas ainda cheio de afazeres pendentes. Hoje em dia, com propriedades cada vez maiores e mais produtivas, tempo é dinheiro, e é justamente por isso que muitos fazendeiros vêm trocando seus velhos cavalos por meios de transporte mais modernos, como motos e quadriciclos. O fenômeno ainda é relativamente recente, mas já pode ser sentido, principalmente pelas montadoras e concessionárias.

ELISEU SANTANA: comprou dois quadriciclos e os cavalos ficaram só para passeios

Um dos setores que mais se destacaram em 2007, o mercado de motocicletas registrou um crescimento superior a 22% em relação ao ano anterior, muito em função do bom momento vivido pelo agronegócio brasileiro. “Esta retomada agrícola nos últimos dois anos tem melhorado consideravelmente nosso negócio. Nas regiões produtoras de soja e milho, por exemplo, é possível notar uma melhora de desempenho acima do normal das concessionárias”, conta José Luiz Terwak, gerente de desenvolvimento de novos produtos da Honda. De acordo com o executivo, esta mudança de comportamento dos produtores rurais é muito lógica. Mesmo com preço superior a um cavalo, que custa algo em torno de R$ 3 mil, as motos não se cansam do trabalho e nem dão tantas despesas mensais quanto um animal. Para Terwak, o trabalho sobre duas rodas é mais rápido, o que gera mais eficiência ao final do mês, argumento que tem convencido os novos compradores.

“O agricultor passou a perceber que a moto é muito mais rápida e eficiente que o cavalo. O animal te dá muita manutenção. Você precisa alimentar, tratar, gastar com veterinário, fora que chega uma hora em que ele morre. Já a moto não tem nada disso. Você compra, usa, depois vende e compra outra mais nova”, continua Terwak, lembrando que, mesmo não tendo nenhum produto voltado exclusivamente para o agronegócio, a empresa japonesa sempre testa seus produtos em situações off-road.

Hoje, os modelos de menor cilindrada ainda são os mais utilizados pelos fazendeiros, principalmente por conta do preço mais atrativo, mas existem também aqueles que optam por quadriciclos. Vistos pela maioria das pessoas como um simples objeto de lazer, os quadriciclos vêm conquistando cada vez mais espaço nas fazendas, assumindo o trabalho que antes era dos cavalos, como a lida do gado e o transporte de insumos.

A utilização de quadriciclos para o trabalho vem aumentando ano a ano. De acordo com uma pesquisa recente realizada pela Honda, cerca de 24% dos proprietários os utilizam profissionalmente. No ano passado, a Honda comercializou cerca de mil quadriciclos Fourtrax, disponíveis com tração em duas ou nas quatro rodas, a preços que partem dos R$ 17 mil. Agora, acaba de lançar uma versão ainda mais potente, com 420 cilindradas, de olho justamente nos compradores rurais.

Moderno demais? Pode até ser, mas os produtores que já aderiram não abrem mais mão dos quadriciclos. “Não faz sentido não ter um desses. É um instrumento de trabalho”, garante Eliseu Santana, que possui dois quadriciclos e os utiliza no dia-a-dia da fazenda. “Com o quadriciclo é tudo muito mais rápido. Se preciso levar alguma coisa, apenas engato uma carretinha e levo. É como se fosse um microtrator. Muito simples e ágil”, completa o produtor, que trocou as quatro patas por quatro rodas.

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