Negócios

Melancia turbinada

Variedade resistente a fungos reduz custo de cultivo e aumenta lucro do produtor

O gasto com fungicidas é um problema constante nas plantações de melancia. Além do custo dos defensivos, há os encargos com os trabalhadores contratados para aplicar o produto. Mas os produtores da fruta receberam uma boa notícia em agosto. Durante a Agrishow SemiÁrido, a Embrapa Petrolina lançou a melancia BRS Opara, cultivar que é fruto do cruzamento convencional da variedade comercial Crimson sweet com a patsa 2, uma melancia rústica encontrada no Nordeste brasileiro. O resultado foi uma fruta resistente aos fungos oídio, responsáveis por uma das piores doenças da cultura. Isso porque atuam na folha da planta, inibindo a fotossíntese e prejudicando o desenvolvimento da melancia. Segundo Rita de Cássia Souza Dias, pesquisadora da Embrapa Petrolina, a principal vantagem da BRS Opara é econômica. “Você reduz de 30% a 40% o uso de fungicidas”, diz.

Da formação do banco de sementes até o lançamento da cultivar, foram 20 anos de pesquisa, que envolveu Em brapa Petrolina, Embrapa Rondônia e a Universidade da Bahia. O diferencial da Opara foi herdado de suas progenitoras. Da americana Crimson sweet, a herança foi a doçura, boa aparência e características agronômicas desejáveis. Já da Cpatsa 2, o legado foi a resistência aos fungos oídio. A nova melancia tem um ciclo de 75 a 85 dias, dependendo do clima da região. Cada planta gera dois frutos, um avanço em relação à C r i m s o n , que produz um fruto por planta. Outra vantagem é o custo de produção. “Um hectare da americana sai por R$ 5,8 mil e produz 35 toneladas. Já a Opara sai por R$ 5 mil e pode render de 40 a 60 toneladas por hectare”, diz Rita. A fruta tem polpa vermelha e casca verde-clara com listas escuras e largas. A única aparente desvantagem é a espessura da casca, que é de 1,4 centímetro (0,4 centímetro a mais que a Crimson). “Mas na hora do transporte, um pouco mais de casca é até benéfico”, diz a pesquisadora. No momento, a fruta turbinada está na fase de obtenção da proteção de cultivar e, na seqüência, deve ser comercializada. Empresas interessadas é o que não falta. Só para exemplificar, Syngenta e Agroceres já fizeram contato.

Mas quem pensa que a Opara é a única novidade, engana-se. Flávio de França, pesquisador da Embrapa Rondônia, desenvolveu duas variedades de melancia de polpa amarela, a BRS Soleil e a BRS Kuarah. As cultivares são mais compactas, quatro quilos apenas, e ricas em vitamina A. Mas, para França, a fruta amarela precisa de um trabalho de marketing. “A princípio, ela não atrai muito porque o mercado brasileiro sacramentou a cor vermelha como padrão”, comenta.