Negócios

Nasce uma gigante

Com a compra da Bunge Fertilizantes, por US$ 750 milhões, a Yara Brasil passa a deter 25% de participação e a liderança no mercado nacional de adubos

O Brasil ganhou uma empresa gigante no setor de fertilizantes. No mês passado, a norueguesa Yara International fechou a compra da área de fertilizantes da americana Bunge Limited, a Fertilizantes Bunge Brasil – dona das marcas Serrana, Manah e Iap –, e de minas de fósforo, um dos elementos químicos dos adubos. A transação de US$ 750 milhões dá a Yara a liderança do setor no País, com capacidade de vender 7,5 milhões de toneladas de fertilizantes por ano – até então, a Bunge disputava o primeiro lugar com a americana Mosaic ex-Cargill) e com a brasileira Heringer. Segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), o mercado nacional é de quase 30 milhões de toneladas por ano. Atualmente, o Brasil é o quarto País que mais consome fertilizantes no mundo. “É o único com capacidade de expansão na agricultura”, diz Egil Hogna, vice-presidente sênior da Yara International. “Por isso focamos no País para expandir nossos negócios.”

A transação entre a Bunge e a Yara ainda precisa ser aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), prevista para o segundo semestre deste ano. Com o sim do Cade, a Yara Brasil, com sede em Porto Alegre, ampliará seu parque de mistura de fertilizantes de 11 unidades para 33. A Yara também passa a controlar as três minas de fósforo localizadas em Minas Gerais. Assim, a empresa que antes era apenas uma misturadora, passa a ter capacidade de produzir 350 mil toneladas de produtos fosfatados, por ano. “O projeto mundial da Yara é acrescentar quatro milhões de toneladas de fertilizantes, até 2016, na atual produção global de 20 milhões de toneladas”, diz Hogna.

A estratégia da Yara é ganhar mercados além da Europa, que responde por 45% de sua vendas, contra 19% representados pela América Latina. Segundo Lair Vianei Hanzen, presidente da operação brasileira, o País é responsável por US$ 1,6 bilhão das receitas mundiais da Yara, de US$ 14,4 bilhões no ano passado. De acordo com Hanzen, com os ativos da Bunge Fertilizantes o faturamento pode chegar a US$ 4,2 bilhões. “Podemos crescer porque a compra dessa empresa nos dará uma importante base de distribuição na América Latina”, diz. Já a Bunge poderá focar a sua atenção nas atividades voltadas a produção.

Mas os negócios entre Bunge e Yara não param por aí. As duas empresas selaram um acordo para que os agricultores que hoje utilizam o serviço de barter da Bunge, a compra de adubos com pagamento em espécie, sejam servidos pela Yara. A Bunge irá adquirir um milhão de toneladas de fertilizantes, por ano. “As duas empresas ganham com a transação”, diz Alberto Weisser, CEO global da Bunge. “Dimensionamos nossa área de fertilizantes como um complemento das operações de agronegócio, e a Yara continuará a crescer em seu negócio global.”