Negócios

Nelore rima com lucro

Com um projeto ousado e baseado em vultosos investimentos, a Agropecuária Rima, de Minas Gerais, usa um modelo industrial para replicar campeões nas pistas brasileiras

Bruno: time de doadoras de ponta e produção de bezerros em escala

O pecuarista Bruno Vincentin, de 32 anos, é o típico sujeito que não gosta de perder nem no par ou ímpar. Empresário do ramo da mineração, há quatro anos ele investe forte na raça nelore. Nesse período, ele já conseguiu algumas proezas. Ao lado do pai, Ricardo Vincentin, ele já fez quatro campeões em Uberaba, comprou a Grande Campeã da Expozebu uma semana antes de ela receber o prêmio e, ainda por cima, fez o touro Grande Campeão da Expoinel. Isso só falando das duas mais importantes pistas do País. Na fazenda, a filosofia é empresarial e tem na economia de escala um dos pilares. A Rima Agropecuária tem um time de 12 doadoras que, juntas, valem quase R$ 10 milhões. Só de bezerros, o patrimônio estimado está em R$ 3,5 milhões, levando-se em conta os 40 melhores bezerros que nasceram por lá nos últimos meses.

E, se você pensa que 40 bezerros é um número alto, saiba que todos os meses há 200 partos, dos quais são selecionados grupos de dez animais que, no fim da peneira, formarão um grande time de exposição. “Todo criatório tem as suas metas, a nossa é criar campeões para as exposições de Uberaba”, diz Bruno. “Se vamos conseguir, é outra história. Mas é para isso que trabalhamos”, pondera.

Bruno é um entusiasta do mundo das exposições e a história de sua família nesse meio não é recente. Antes de entrar para a “família nelorista”, os Vincentin criaram gado charolês. Foram eles os primeiros e únicos criadores fora do Rio Grande do Sul a conquistar o Grande Campeonato da raça em Esteio.

Manejo: tudo é planejado para aumentar o bem-estar e aproveitar ao máximo a fertilidade das doadoras e receptoras

Esse período, aliás, deu a base para o projeto que hoje está implantado na criação de zebu. “Começamos a utilizar a fertilização artificial para multiplicar o número de nascimentos ao ano e aumentar a nossa base de bezerros. Assim, com acesso aos melhores cruzamentos, em pouco tempo conseguimos formar um rebanho campeão”, explica Bruno. Mas a Associação dos Criadores de Charolês modificou o regulamento das competições, restringindo o uso de tecnologias de inseminação artificial, o que desmotivou a família. “Sem isso, não poderíamos ser competitivos”, lamenta o criador. Mas não é apenas no gado que os Vicentin fazem sucesso. Eles também são criadores de cavalos. O atual Grande Campeão da raça pampa saiu de suas baias e eles já fizeram campeões tanto no mangalarga (mineiro, claro) como com cavalos campolina. “Adoramos competir, mas o negócio tem de ser rentável”, pondera.

FIV: a fertilização in vitro é responsável por 200 nascimentos por mês, um recorde de produtividade

No exercício de 2009, a Agropecuária Rima fechou com um faturamento de R$ 6 milhões. Entre os negócios estão a venda de barrigas, leilões de “babies” (bezerros jovens), e de embriões, entre outros. Com o cabedal genético formado nos últimos anos, fruto de investimentos generosos, o criatório se tornou referência. “Eles fazem um trabalho fantástico”, diz Fernando Tico Cardoso, da agropecuária Santarém (RJ), sócio de Ivete Sangalo e Maurício Odebrecht. Jonas Barcellos, um dos mais premiados criadores da história, também avaliza: “A Rima está investindo certo em qualidade, por isso também produz qualidade.”

Ao longo do ano, a Rima participa de cerca de nove exposições, a um custo médio de R$ 30 mil por etapa. Mas isso, segundo Bruno, faz parte do trabalho. “Outro ponto de destaque no criatório é a estratégia de comercialização. Saber vender, na opinião do pecuarista, é uma verdadeira arte. No ano passado, a Rima recebeu a oferta de R$ 200 mil por um jovem touro. Naquele momento, a oferta parecia justa, no entanto, o animal não foi vendido para que pudesse continuar sua carreira nas pistas. O fato é que Campo Lavoura, o animal em questão, se tornou Grande Campeão da Expoinel e seu valor de mercado disparou. “Se eu pensasse apenas no dinheiro, teria vendido, mas preferi apostar”, comenta Bruno.

Outro exemplo está em Bélgica, mãe de Campo Lavoura. Em valores históricos, as prenhezes dessa doadora eram comercializadas ao preço médio de R$ 70 mil. Hoje o valor dobrou. “Assim que amortizamos o investimento (de R$ 800 mil), paramos de vender seus filhos e aos poucos o valor médio está subindo”, explica. “É preciso ter sangue-frio, porque às vezes excelentes ofertas aparecem e nessas horas você tem de saber muito bem o que você quer para o seu negócio”, avalia.

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